14/Sep/2026
O dólar ganhou força nas últimas horas do pregão de sexta-feira (11/09) e terminou a sessão em alta de 0,44%, a R$ 5,12. A moeda chegou à máxima de R$ 5,13. O movimento refletiu a maior cautela dos investidores diante das repercussões políticas do caso Master e da expectativa por novos desdobramentos. O principal gatilho para a busca pela moeda norte-americana foi a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de solicitar a liberação total do sigilo das investigações relacionadas ao financiamento, pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A possibilidade de surgimento de novas denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) aumentou a percepção de risco no mercado, enquanto os investidores também aguardavam a divulgação de nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre a corrida presidencial. A tensão em torno do STF contribuiu para uma postura mais defensiva no mercado cambial.
A busca por proteção em dólar ganhou força diante da incerteza sobre os possíveis acontecimentos políticos. Com o resultado, o dólar acumulou queda de 0,11% na semana passada. Em setembro, a moeda norte-americana recua 1,06%, após alta de 2,16% em agosto, enquanto no acumulado de 2026 registra baixa de 6,62%. O Real apresentou o pior desempenho entre as moedas mais líquidas nesta sessão, seguido de perto pela rupia indiana. Além do componente político doméstico, o ambiente de juros também passou a exercer pressão sobre o Real. Os indicadores de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos reforçam a perspectiva de redução do diferencial entre os juros domésticos e norte-americanos após a decisão das autoridades monetárias na ‘superquarta’ (16/09). Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto veio em linha com as expectativas, mas o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou um pouco acima do esperado.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto. A combinação de inflação mais elevada nos Estados Unidos e inflação mais fraca no Brasil aumenta a percepção de redução da vantagem dos juros brasileiros. O cenário reforça as expectativas de flexibilização monetária no Brasil e de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos, diminuindo a atratividade das operações de carry trade e criando espaço para alguma depreciação do real, apesar da valorização superior a 1% acumulada pela moeda brasileira em setembro até então. No exterior, o dólar chegou a tocar R$ 5,07 na mínima do dia, acompanhando inicialmente a valorização de moedas emergentes. A tendência perdeu força. A queda dos preços do petróleo favoreceu o apetite por risco e reduziu parte dos temores relacionados a pressões inflacionárias, deixando os dados do CPI em segundo plano. O contrato do Brent para novembro caiu 2,81%, embora tenha permanecido acima de US$ 100,00 por barril.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,07% por volta das 17h, aos 99,115 pontos. Na semana passada, o indicador encerrou em leve queda e acumula recuo de cerca de 0,30% em setembro. Parte desse movimento está relacionada à valorização superior a 3% do iene no mês, diante da perspectiva de aperto monetário no Japão e da possibilidade de intervenções para sustentar a moeda japonesa. Para o banco ING, uma eventual alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) nesta semana não deve provocar valorização sustentada do DXY. A expectativa é de que a decisão represente uma recalibragem da política monetária, e não o início de um novo ciclo de alta dos juros norte-americanos. Nesse cenário, a projeção é de continuidade da trajetória de queda do dólar até 2027, especialmente no segundo trimestre, quando a inflação dos Estados Unidos deverá retornar à meta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.