16/Sep/2026
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, sinalizou que o país não pretende acelerar a negociação de um novo acordo comercial com os Estados Unidos e busca sair da atual guerra comercial com uma economia mais resiliente e independente. A estratégia é aguardar condições consideradas adequadas para um entendimento com os Estados Unidos, em vez de priorizar a conclusão rápida de um acordo. A proximidade geográfica e econômica entre Canadá e Estados Unidos continuará sendo estrutural, mas a relação bilateral depende de uma atuação baseada em parceria, respeito às tradições e soberania. A estratégia canadense busca fortalecer a capacidade de negociação do país por meio de maior resiliência econômica e diversificação de relações e investimentos.
A estratégia ocorre em um ambiente de maior tensão comercial com os Estados Unidos, marcado pelo uso de tarifas como instrumento de pressão sobre parceiros e de incentivo à transferência de produção e investimentos para o território norte-americano. Sem citar diretamente o presidente Donald Trump, Carney criticou a abordagem baseada em relações transacionais e de soma zero, destacando o valor da previsibilidade e da confiabilidade do Canadá como parceiro comercial. O governo canadense também considera que a integração econômica e a soberania nacional enfrentam uma tensão crescente. Nesse contexto, a preservação da independência econômica dependeria do fortalecimento da cooperação com parceiros alinhados e da ampliação da capacidade de absorção de choques externos. A agenda internacional de Carney inclui viagem à Europa e participação prevista no Parlamento Europeu. Apesar do conflito comercial, cerca de 80% do comércio entre Canadá e Estados Unidos permanece livre de tarifas.
A avaliação do Canadá é de que existe espaço para uma relação comercial mutuamente benéfica, mas a retomada de negociações dependerá das condições consideradas adequadas pelo governo canadense. A tensão bilateral também é influenciada pela recorrente defesa de Trump da incorporação do Canadá como o 51º Estado norte-americano, proposta que elevou a sensibilidade política nas relações entre os dois países. Nesse cenário, a estratégia canadense combina manutenção dos canais de negociação com os Estados Unidos, fortalecimento da infraestrutura, atração de capital privado e diversificação de parceiros, buscando reduzir a vulnerabilidade da economia às decisões comerciais dos Estados Unidos. Fonte: Associated Press. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.