16/Sep/2026
De acordo com o “Relatório sobre o Comércio Mundial de 2026” da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ascensão de grandes economias emergentes, especialmente Brasil e China, ampliou a complexidade do sistema multilateral de comércio ao redistribuir o poder econômico global e aumentar a influência desses países sobre os mercados internacionais. Há pressão crescente sobre compromissos negociados em um período no qual a distribuição do poder econômico era diferente. Desde 1995, a participação das economias de baixa e média renda no comércio mundial de mercadorias quase dobrou, alcançando 45%. A China ingressou na OMC em 2001, enquanto o Brasil já figurava, ao lado da Índia, entre os países emergentes com influência crescente durante a Rodada Uruguai, concluída em 1994. A mudança na participação desses países alterou o equilíbrio das negociações e aumentou a diversidade de interesses dentro do sistema multilateral. Esse novo equilíbrio também se reflete no debate sobre o tratamento especial e diferenciado concedido a economias em desenvolvimento.
Brasil, China, Coreia do Sul, Costa Rica e Singapura manifestaram disposição de não recorrer a esse mecanismo em negociações atuais ou futuras, embora sem renunciar formalmente ao status de economia em desenvolvimento. A China também anunciou, em 2022, que não utilizaria determinada flexibilidade prevista para países emergentes nas regras de propriedade intelectual. O relatório identifica ainda tensões relacionadas às diferenças entre modelos econômicos e ao uso de políticas industriais, subsídios e empresas estatais. Produtos chineses aparecem entre os casos associados à adoção de metodologias especiais em investigações antidumping. O Brasil, por sua vez, está entre os sete maiores usuários desse instrumento no período de 2015 a 2025, grupo responsável por quase dois terços das medidas adotadas no intervalo. A integração comercial também produz efeitos domésticos desiguais. Estudos mostram que regiões brasileiras mais expostas à concorrência de produtos importados apresentaram recuperação mais lenta.
Trabalhadores afetados por choques de importação também tendem a permanecer por períodos prolongados na informalidade, evidenciando que os ganhos agregados da abertura comercial podem coexistir com custos concentrados em determinadas regiões, setores e grupos de trabalhadores. Na China, a concentração da produção de minerais estratégicos constitui outro ponto de atenção para o sistema comercial. O país está entre os principais produtores mundiais de terras raras, grafite e gálio, em um contexto de ampliação de subsídios, controles de exportação e acordos destinados a reduzir dependências consideradas estratégicas do ponto de vista geopolítico. A evolução de Brasil e China evidencia, assim, uma transformação estrutural do comércio internacional: economias emergentes passaram de participantes com menor peso relativo para atores relevantes na definição das regras, na oferta de produtos estratégicos e no uso de instrumentos de defesa comercial. Essa redistribuição de poder exige adaptação das regras multilaterais às novas condições econômicas e à maior diversidade de modelos de desenvolvimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.