16/Sep/2026
De acordo com relatório divulgado nesta terça-feira (15/09) pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), a transição global para uma economia mais sustentável apresenta sinais claros de avanço, impulsionada por investimentos, comércio e desenvolvimento tecnológico, apesar das restrições provocadas pela fragmentação geopolítica e pela crescente pressão das empresas por resultados de curto prazo. O estudo, elaborado em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que afetou o Estreito de Ormuz e provocou instabilidade nos mercados globais, aponta que os executivos vêm enfrentando a volatilidade geopolítica e econômica com maior disposição para manter o avanço da agenda de sustentabilidade.
O ambiente de incerteza, portanto, não eliminou a prioridade atribuída à transição, mas aumentou a necessidade de execução de projetos com retorno mais claro. Entre os executivos de sustentabilidade, 63% esperam que o progresso global em sustentabilidade permaneça estável ou acelere nos próximos 12 meses. Além disso, três em cada quatro entrevistados projetam manutenção ou aumento dos investimentos corporativos relacionados à transição verde. O WEF, contudo, identifica uma evolução desigual entre setores e regiões, definida no relatório como divergência verde. O processo ocorre à medida que diferentes economias e segmentos avançam em velocidades distintas na adoção de tecnologias, investimentos e políticas voltadas à sustentabilidade.
Mesmo com essa fragmentação, a economia verde global, estimada em mais de US$ 5 trilhões por ano, deve superar US$ 7 trilhões até 2030 e permanece entre os segmentos de crescimento mais rápido da economia mundial. A transição passa, dessa forma, de uma etapa predominantemente associada à definição de metas para uma fase de implementação, com maior cobrança sobre empresas e governos para transformar compromissos ambientais em investimentos, tecnologias e resultados mensuráveis. A fragmentação geopolítica é apontada como um dos principais riscos para o ritmo desse processo.
Para 78% dos executivos de sustentabilidade, conflitos, políticas inconsistentes e o enfraquecimento do multilateralismo devem afetar o avanço da agenda no próximo ano. O impacto esperado não é necessariamente uma desaceleração generalizada, mas uma maior diferença entre países, setores e regiões na velocidade de adoção das medidas de transição. A inteligência artificial também aparece como fator de potencial aceleração da agenda sustentável. Para 73% dos entrevistados, a tecnologia pode contribuir principalmente para medição de indicadores, elaboração de relatórios, ganhos de eficiência e modelagem de riscos.
Ao mesmo tempo, 77% consideram o consumo de energia e de recursos associado à própria infraestrutura de inteligência artificial como seu principal efeito negativo sobre a sustentabilidade. O cenário aponta para uma transição verde que mantém trajetória de expansão, mas com maior heterogeneidade regional e setorial. A combinação entre investimentos corporativos, avanço tecnológico e necessidade de maior eficiência pode sustentar o crescimento da economia verde, enquanto conflitos, fragmentação política e o elevado consumo de recursos da infraestrutura digital permanecem como obstáculos à velocidade e à uniformidade desse processo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.