ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

16/Sep/2026

El Niño forte amplia riscos para a safra 2026/2027

O El Niño que acompanha o início da safra brasileira 2026/27 se aproxima da classificação de intensidade muito forte, elevando os riscos climáticos para a produção agrícola, especialmente com a perspectiva de intensificação dos efeitos durante o verão 2026/27. A anomalia da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial avançou de 1°C em junho para 1,8°C em agosto e atingiu 1,9°C na parcial de setembro. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) classifica o fenômeno como muito forte quando o desvio alcança 2°C acima da média. As projeções indicam que o fenômeno poderá atingir esse nível de intensidade durante a primavera e permanecer nessa condição até o verão 2026/27. O comportamento do El Niño passa, assim, a figurar entre os principais pontos de atenção para uma temporada em que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta novo recorde de produção de grãos. A Conab estima a colheita de 366,62 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, alta de 1,4% ante as 361,72 milhões de toneladas da safra anterior.

O crescimento da produção deve ocorrer principalmente pela expansão de 2,3% da área plantada, para 85,35 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 4.296 quilos por hectare, 0,9% abaixo da registrada em 2025/26. As possíveis repercussões do El Niño estão entre os principais riscos para a safra 2026/27. No milho, cuja produção é estimada em 148 milhões de toneladas, aumento de 2,8%, um El Niño de intensidade muito forte pode provocar excesso de precipitações em algumas regiões e chuvas irregulares ou insuficientes em outras. A produtividade média do cereal já é projetada 2% abaixo da observada em 2025/26, o que amplia a sensibilidade da oferta às condições climáticas. No arroz, o risco também ganha relevância. A Conab prevê produção de 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, acompanhada de redução de 3,7% na produtividade. O El Niño é considerado um fator adicional de risco para a oferta em 2026/27, principalmente na Região Sul, onde está concentrada a produção brasileira do cereal. Os impactos do fenômeno, contudo, tendem a apresentar distribuição regional desigual.

A análise de episódios anteriores realizada pelo Inmet indica maior frequência de chuvas abaixo da média no Norte e em parte do Nordeste durante a primavera, enquanto a faixa central do País tende a apresentar maior irregularidade e o Sul pode registrar precipitações mais concentradas. A principal preocupação para o ciclo agrícola pode ocorrer no verão. As projeções disponíveis indicam avanço das chuvas sobre parte da região central até dezembro, mas as condições para os meses seguintes ainda dependerão da atualização dos modelos meteorológicos. Dessa forma, a intensidade muito forte do El Niño e sua possível persistência até o verão aumentam a necessidade de monitoramento das condições de chuva, produtividade e calendário das principais culturas da safra 2026/27. O receio da estatal com a previsão de um "super" El Niño é com a possibilidade de veranico entre outubro e novembro no Centro-Oeste e com excesso de chuvas no mesmo período na Região Sul. Isso pode comprometer o desenvolvimento das culturas.

Historicamente, o El Niño é caracterizado por excesso de chuva na Região Sul e aumento das temperaturas com irregularidade das chuvas no Centro-Oeste. "O fato de termos chuvas irregulares não significa que compromete no desenvolvimento da cultura, porque se houver chuvas a cada 10 a 15 dias pode garantir pleno desenvolvimento das lavouras e um bom desempenho. Este será o principal ponto de acompanhamento no campo ao longo da safra. No momento, a preocupação é com o início e a regularidade das chuvas para o plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027) no Centro-Oeste. Em relação à Região Sul, o ponto de atenção é o excesso de chuva e algum comprometimento em relação ao plantio do arroz. Caso as intempéries forem abaixo do projetado, a safra poderá ainda ser superior aos números inicialmente estimados pela Conab. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.