16/Sep/2026
O dólar fechou em leve alta ante o Real nesta terça-feira (15/09), acompanhando o movimento da moeda norte-americana no exterior, em uma sessão marcada pela cautela antes das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). O avanço dos preços do petróleo, com o Brent novamente próximo de US$ 110,00 por barril, reforçou as preocupações com a inflação global e adicionou volatilidade aos mercados na véspera da decisão do Fed. A moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,12 e a máxima de R$ 5,16 e encerrou o pregão com alta de 0,14%, a R$ 5,15. Nos dois primeiros pregões da semana, o dólar acumula valorização de 0,58% ante o Real. Em setembro, entretanto, ainda registra queda de 0,48%, após alta de 2,16% em agosto. No acumulado do ano, a moeda norte-americana recua 6,08%. O ambiente político e institucional doméstico também permaneceu no radar dos investidores.
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcada por divergências entre ministros e acompanhada de perto pelo mercado. O episódio trouxe desconforto, mas não foi determinante para a formação da taxa de câmbio. No mercado financeiro, parte das avaliações relacionou a crise institucional no STF ao ambiente eleitoral e ao comportamento recente do Real. No exterior, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,26%, aos 99,637 pontos, depois de atingir máxima de 99,687 pontos. O indicador acumula alta de 0,55% na semana, período marcado pela forte valorização do petróleo. O Brent registra ganho acumulado próximo de 20% em setembro, ampliando os riscos de pressão inflacionária e afetando as expectativas para a política monetária internacional. A trajetória dos juros também permanece como fator central para o câmbio.
O cenário considerado mais provável para a chamada superquarta envolve alta de 0,25% da taxa de juros pelo Federal Reserve e novo corte de 0,25% da Selic pelo Copom. Em tese, essa combinação reduz o diferencial entre os juros domésticos e norte-americanos e pode diminuir a atratividade das operações de carry trade com ativos brasileiros. O Rabobank projeta dólar a R$ 5,35 no fim de 2026. A avaliação considera a expectativa de redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ao longo do ano, eventual recuperação do dólar no mercado internacional e um ambiente fiscal doméstico considerado frágil em um ano eleitoral. Trata-se de uma projeção de mercado, sujeita à evolução das condições monetárias, fiscais e externas. O Banco Central realizou nova operação conhecida como ‘casadão’, com venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e compra de US$ 1 bilhão em dólar futuro por meio da oferta de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos. A operação não altera diretamente a taxa de câmbio à vista, mas tende a reduzir a pressão sobre o cupom cambial, que corresponde à taxa de juros em dólar.
Operadores não descartam novas intervenções do Banco Central para prover liquidez diante dos sinais de pressão pela saída de divisas. A combinação entre redução do estoque de swaps cambiais tradicionais e eventual venda de dólares no mercado à vista seria interpretada por participantes como uma resposta a pressões concentradas no mercado à vista, e não apenas no segmento futuro. O câmbio permanece, assim, condicionado a uma combinação de fatores externos e domésticos, com destaque para as decisões do Fed e do Copom, o comportamento dos preços do petróleo, a evolução do cenário fiscal brasileiro, as expectativas eleitorais e a atuação do Banco Central. A redução do diferencial de juros e a maior pressão sobre a inflação global constituem fatores de atenção para o Real, enquanto o petróleo mais elevado melhora os termos de troca do Brasil e pode compensar parcialmente parte das pressões externas sobre a moeda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.