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17/Sep/2026

Inflação acelera com alta de grãos e commodities

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 1,47% em setembro, após queda de 0,51% em agosto. A aceleração foi liderada pelos preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo - 10 (IPA-10) subiu 1,90% em setembro, após queda de 0,69% em agosto. O Índice de Preços ao Consumidor - 10 (IPC-10) avançou 0,44%, depois de recuar 0,47% no mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção - 10 (INCC-10) teve alta de 0,50%, abaixo do avanço de 0,65% em agosto. No acumulado do ano, o IGP-10 registra alta de 2,97%, enquanto em 12 meses o avanço é de 3,29%. O período de coleta de preços do indicador de setembro compreendeu de 11 de agosto a 10 de setembro de 2026. A pressão sobre o IPA-10 esteve relacionada, entre outros fatores, ao aumento das incertezas climáticas associado ao fortalecimento do El Niño.

Os efeitos do fenômeno sobre a produção brasileira de grãos ainda não estão materializados, já que o plantio da safra 2026/27 está apenas começando, mas a possibilidade de um evento climático mais intenso elevou o prêmio de risco e estimulou a antecipação de compras por empresas consumidoras de grãos. Esse movimento contribuiu para a reversão da trajetória dos preços no atacado entre agosto e setembro. A antecipação de compras ocorre em um momento de maior incerteza sobre as condições de oferta da próxima safra, elevando a pressão sobre os preços agropecuários antes da confirmação dos impactos efetivos do clima sobre a produtividade. As commodities da indústria extrativa também apresentaram volatilidade, refletindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. O comportamento desses produtos adicionou pressão ao componente atacadista e contribuiu para a aceleração do IGP-10 no mês. No varejo, o destaque foi a tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 7% em setembro com o fim do efeito do bônus de Itaipu.

O reajuste nacional da tabela de cigarros também contribuiu para a alta do IPC-10, que passou de queda de 0,47% em agosto para avanço de 0,44% em setembro. Na construção civil, os condutores elétricos continuam pressionados, acumulando alta de 23% em 12 meses. O movimento acompanha a valorização do cobre, principal matéria-prima utilizada nesses produtos, em um ambiente de restrições à expansão da oferta mundial e aumento da demanda relacionado à eletrificação, à expansão das redes elétricas e aos investimentos em infraestrutura para centros de dados e inteligência artificial. O resultado de setembro mostra uma mudança relevante na composição da inflação medida pelo IGP-10, com o atacado assumindo novamente o protagonismo. A combinação entre maior risco climático para a safra 2026/27, antecipação de compras de grãos e volatilidade das commodities extrativas ampliou a pressão sobre os preços ao produtor, enquanto energia elétrica e cigarros contribuíram para a aceleração do componente ao consumidor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.