17/Sep/2026
O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) acelerou para alta de 1,47% em setembro, após recuo de 0,51% em agosto, impulsionado principalmente pela inflação no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 1,90% no mês, depois de queda de 0,69% em agosto, com forte contribuição dos produtos agropecuários. Dentro do IPA, os produtos agropecuários aceleraram para 3,15% em setembro, ante alta de 1,96% em agosto, com destaque para soja e pecuária. A soja em grão voltou a registrar valorização de 7,50%, após alta de 8,26% em agosto, enquanto o farelo de soja intensificou o movimento, com avanço de 9,59%, ante 4,49% no mês anterior.
A alta do farelo amplia a pressão sobre os custos de ração e, consequentemente, sobre os segmentos de produção de proteína animal. Na pecuária, os preços também mudaram de direção. Os bovinos passaram de deflação de 0,81% em agosto para alta de 2,99% em setembro. A carne bovina avançou 3,98%, revertendo a queda de 1,10% registrada no mês anterior. A continuidade desse movimento pode elevar os custos em cadeias de alimentos e serviços de alimentação. Parte da aceleração dos preços agropecuários no atacado está associada ao aumento das incertezas climáticas com o fortalecimento do El Niño. O fenômeno tende a elevar os prêmios de risco das commodities agrícolas diante da possibilidade de impactos sobre produtividade e oferta.
A configuração atual, porém, apresenta características que reduzem parte do risco para o Brasil, com maior concentração do aquecimento no leste do Pacífico, embora o fenômeno ainda represente uma fonte adicional de incerteza para o mercado. Além do componente climático, a recuperação das cotações internacionais tem sido sustentada pela demanda. A soja voltou à faixa de US$ 13,00 por bushel na Bolsa de Chicago, depois de ter negociado abaixo de US$ 10,00 por bushel no ciclo anterior. O milho retomou níveis acima de US$ 5,00 por bushel e o trigo também avançou, aumentando a pressão sobre o grupo de grãos, que possui peso relevante na formação dos preços no atacado e nos custos de alimentação animal.
Na soja, a recuperação das cotações ocorre mesmo com produção elevada nos Estados Unidos, reforçando a importância da demanda na formação dos preços. O consumo doméstico norte-americano e o ritmo das exportações estão contribuindo para sustentar o mercado. No fim de agosto, as vendas externas dos Estados Unidos da nova safra estavam 144% acima do registrado um ano antes e no ritmo mais elevado para o período em quatro anos. A valorização das commodities, porém, não representa alívio automático para o produtor. A recomposição dos preços ocorre em um ambiente de crédito mais restrito e custo financeiro elevado, após ciclos recentes de rentabilidade pressionada.
Esse cenário tende a limitar decisões de investimento e expansão de área no curto prazo, mantendo o mercado sensível a novas mudanças nas condições climáticas e no ritmo da demanda. A persistência da alta do IPA poderá funcionar como sinalizador de pressões de custos para os demais segmentos da economia. Os efeitos podem alcançar cadeias industriais e o varejo, principalmente em produtos associados a grãos, ração e proteínas. O repasse aos preços finais, entretanto, dependerá das condições de estoques, das margens dos diferentes elos das cadeias e do comportamento do consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.