17/Sep/2026
Segundo o Banco Pine, a economia brasileira deve crescer 0,8% em 2027, com retração do agronegócio e forte desaceleração da demanda doméstica. O cenário considera efeitos defasados dos juros elevados sobre a atividade, desaceleração do crédito, maior comprometimento da renda das famílias e uma contribuição fiscal menos favorável. A demanda doméstica deve avançar apenas 0,4% no próximo ano, em um ambiente de desaceleração do consumo das famílias e aumento da inflação. O Banco Pine reduziu em julho sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 de 1,4% para 0,8%, incorporando os efeitos acumulados das condições financeiras mais restritivas. No agronegócio, a expectativa é de crescimento negativo em 2027, após anos de contribuição positiva para a economia brasileira.
O principal fator de pressão deve ser o clima, especialmente o fortalecimento do El Niño, com risco de redução da produtividade e da produção em algumas regiões do País. Mato Grosso está entre as áreas consideradas mais expostas ao fenômeno. A menor produtividade agrícola também tende a elevar a inflação de alimentos, ampliando os efeitos do clima sobre a atividade econômica. A expectativa é de intensificação do El Niño a partir de novembro e dezembro, com impactos que podem ultrapassar as lavouras e atingir o transporte de commodities, elevando custos ao longo das cadeias produtivas. O risco climático ganhou força nas últimas semanas. Em atualização de 10 de setembro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou que o El Niño segue se intensificando, com probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre o outono e o inverno de 2026/27 no Hemisfério Norte.
A NOAA também indicou 75% de chance de o evento superar, no trimestre de outubro a dezembro, todos os fenômenos já registrados desde 1950. No câmbio, o Banco Pine trabalha com dólar médio de R$ 5,15 em 2027, pouco acima dos R$ 5,11 projetados para 2026. Apesar da projeção média, não está descartada a ocorrência de períodos com o real abaixo de R$ 4,90 por dólar ao longo do próximo ano. A dinâmica cambial deverá continuar sendo influenciada principalmente por forças globais, mais do que por fatores domésticos de curto prazo. Para o médio e o longo prazo, a perspectiva é de recuperação da atividade. Após o desempenho mais fraco projetado para 2027, a expectativa é de que a economia brasileira retome, em 2028, uma dinâmica mais próxima da normalidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.