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16/Oct/2026

Estreito de Ormuz: ameaça à produtividade agrícola

A interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz começa a afetar as colheitas agrícolas e aumenta o risco de redução da produtividade das lavouras e de elevação dos preços dos alimentos. Segundo o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), os obstáculos ao transporte de fertilizantes, combinados ao aumento dos custos de combustíveis e fretes, estão encarecendo a produção e levando agricultores a reduzir o uso de insumos e adotar maior cautela no plantio. A restrição logística ameaça o acesso a insumos essenciais para a produção agrícola, com possíveis reflexos sobre o desenvolvimento das lavouras e os volumes colhidos. A redução da aplicação de fertilizantes, motivada pelo aumento dos preços ou pela dificuldade de abastecimento, pode comprometer o potencial produtivo e limitar a oferta de alimentos nos mercados internacionais.

O cenário é agravado pela atuação simultânea de fatores climáticos e geopolíticos. O fenômeno El Niño amplia as incertezas sobre as condições de produção em diferentes regiões, enquanto as dificuldades no abastecimento de trigo proveniente da região do Mar Negro acrescentam riscos à oferta global de alimentos. Os preços das commodities agrícolas avançaram 13% no terceiro trimestre de 2026. Novas altas são esperadas no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre de 2027, diante da continuidade das pressões sobre os custos de produção, o transporte e a disponibilidade de insumos. Os países dependentes de importações de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais vulneráveis à prolongação da crise.

Nessas economias, a combinação de insumos mais caros, dificuldades logísticas e aumento das cotações internacionais pode elevar os custos agrícolas, pressionar a inflação dos alimentos e ampliar os riscos para a segurança alimentar. A evolução do conflito e a normalização do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz serão determinantes para o comportamento dos custos e da oferta agrícola nos próximos meses. Caso as restrições persistam, a redução do uso de insumos e os possíveis efeitos negativos sobre a produtividade poderão prolongar as pressões sobre os preços internacionais, com impactos mais intensos nos países importadores e nas populações de menor renda. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.