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19/Oct/2026

UE e Reino Unido: agricultura perde competitividade

A produção agrícola da União Europeia e do Reino Unido cresce em ritmo inferior ao de importantes concorrentes globais, como Brasil, Estados Unidos, China, Canadá e Índia, e poderá perder ainda mais competitividade sem maior acesso dos produtores a novas tecnologias. A conclusão é de estudo encomendado pela Bayer, com análises econômicas da Oxford Economics, pesquisa com mais de 8 mil consumidores e entrevistas com cerca de 90 agricultores de oito mercados europeus. O levantamento aponta restrições regulatórias, aumento dos custos dos insumos e impactos das mudanças climáticas como fatores que limitam o desempenho do setor. Entre 2011 e 2023, a produção agrícola da União Europeia cresceu, em média, 0,1% ao ano, enquanto o Reino Unido apresentou estabilidade. No mesmo período, a expansão anual foi de 1% nos Estados Unidos e de 2% na média global. China, Canadá e Índia registraram taxas de crescimento entre 2% e 3% ao ano, enquanto o Brasil avançou 3,3% ao ano.

Na comparação com a década anterior, a produção agrícola média europeia aumentou apenas 2%, ante altas de 16% nos Estados Unidos, 44% no Canadá e 51% no Brasil, evidenciando a diferença de desempenho entre a Europa e outros importantes produtores agrícolas. O estudo atribui parte dessa disparidade ao acesso mais lento dos agricultores europeus a tecnologias de sementes, produtos para proteção de cultivos e ferramentas digitais. A situação é agravada pela elevação dos custos dos insumos e pelos efeitos das mudanças climáticas sobre a produção. Na União Europeia, as perdas anuais médias associadas a riscos climáticos são estimadas em 17,4 bilhões de euros, equivalentes a 6,4% da produção agrícola do bloco. Até 2050, esse valor poderá aumentar para uma faixa entre 24,8 bilhões e 28,9 bilhões de euros, ampliando os desafios para a produtividade e a estabilidade da oferta agrícola. A desaceleração da produção também representa um risco para a segurança alimentar e a autonomia estratégica europeia.

Segundo o levantamento, a agricultura contribui com 246 bilhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia e com 5,7 bilhões de euros para o PIB do Reino Unido. Cada 1 bilhão de euros gerado pela produção agrícola sustenta quase 3 bilhões de euros em produção adicional nos demais setores da economia, o que evidencia os efeitos indiretos do desempenho agropecuário sobre a atividade econômica. Um dos principais entraves identificados é o ambiente regulatório europeu. O número de ingredientes ativos autorizados para proteção de cultivos caiu de mais de 1 mil no início dos anos 2000 para cerca de 420 atualmente. Nos últimos sete anos, 92 ingredientes ativos deixaram de estar disponíveis para os agricultores, enquanto apenas um novo ingrediente ativo sintético chegou ao mercado no período. A redução das alternativas para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas pode limitar as estratégias de produção e dificultar a adaptação dos agricultores às condições climáticas e agronômicas.

No Reino Unido, desde 2022, foram aprovados quatro ingredientes ativos inteiramente novos que ainda não receberam aprovação ou permanecem com autorização pendente na União Europeia. O país também mantém autorizações para 15 ingredientes ativos cujas licenças europeias expiraram ou foram revogadas desde o Brexit. Conforme o estudo, um eventual alinhamento das regras britânicas às normas europeias poderá afetar essas aprovações. Caso a transição não seja bem administrada, poderão ocorrer impactos sobre a produtividade e a renda agrícola britânica. A pesquisa também identifica apoio dos consumidores europeus à modernização da agricultura. Para 84% dos entrevistados, a segurança alimentar é uma questão de segurança nacional, e a mesma proporção defende que os agricultores tenham acesso às tecnologias e inovações mais recentes para melhorar as colheitas e contribuir para a redução dos preços dos alimentos.

Além disso, 77% consideram que a redução da burocracia ajudaria a Europa a produzir alimentos em quantidade suficiente, enquanto 63% afirmam ter maior probabilidade de votar em partidos que apoiem o uso de ciência e tecnologia pelos produtores rurais. Os resultados reforçam a necessidade de tratar a agricultura como um setor estratégico e ampliar o acesso à inovação. O estudo abrangeu oito mercados europeus (Benelux, França, Alemanha, Itália, Polônia, Romênia, Espanha e Reino Unido) e examinou como novas tecnologias podem contribuir para elevar a produtividade, fortalecer a competitividade e aumentar a resiliência do setor agrícola. A evolução do desempenho europeu dependerá, entre outros fatores, das condições regulatórias, da disponibilidade de tecnologias e da capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.