19/Oct/2026
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes globais para o enfrentamento da obesidade na infância e na adolescência, com orientações destinadas às autoridades de saúde dos países integrantes da entidade. Os documentos são divididos em duas faixas etárias: crianças de até 9 anos e adolescentes de 10 a 19 anos. Para ambos os grupos, a recomendação central é iniciar o tratamento com mudanças no estilo de vida, incluindo reeducação alimentar, alterações comportamentais e prática regular de atividades físicas. As diretrizes recomendam cautela no uso de medicamentos para perda de peso e na realização de procedimentos cirúrgicos em crianças. Para a faixa etária de até 9 anos, a OMS não recomenda o uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos como canetas emagrecedoras, devido à insuficiência de evidências sobre os benefícios e possíveis efeitos adversos.
A cirurgia bariátrica também não é recomendada nesse grupo, considerando os possíveis prejuízos ao desenvolvimento infantil. Entre os adolescentes, o uso de medicamentos para obesidade pode ser recomendado quando existem complicações associadas à doença, como diabetes tipo 2. Nos casos de obesidade grave, a cirurgia bariátrica pode ser considerada após o insucesso de outros protocolos de tratamento. Tanto os medicamentos quanto os procedimentos cirúrgicos devem ser reservados para situações específicas, após avaliação clínica, enquanto as intervenções relacionadas ao estilo de vida permanecem como parte fundamental da abordagem. A orientação prioriza medidas preventivas e mudanças comportamentais que possam ser incorporadas à rotina das famílias, com atenção à alimentação equilibrada e à redução do sedentarismo.
O enfrentamento da doença exige estratégias integradas, uma vez que a obesidade afeta cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo, segundo a OMS, e envolve fatores que ultrapassam as escolhas individuais. No Brasil, a dimensão do problema também exige atenção. Projeções com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 6,6 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 9,9 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos apresentam obesidade ou sobrepeso. O contingente supera 16 milhões de pessoas e representa mais de um terço da população dessas faixas etárias, conforme os dados citados. A magnitude do quadro reforça a necessidade de políticas públicas de saúde coletiva, prevenção e ampliação do acesso ao atendimento médico. A participação das famílias, das escolas e dos governos é considerada essencial para a mudança de hábitos.
No ambiente doméstico, cabe aos responsáveis incentivar a redução do consumo de alimentos açucarados, altamente calóricos e com baixo valor nutritivo, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados e refeições equilibradas. Nas escolas, a ampliação das atividades físicas e a educação alimentar podem contribuir para a formação de hábitos mais saudáveis desde a infância. Ao poder público, cabe implementar políticas de prevenção, ampliar a oferta de alimentos in natura na alimentação escolar, enfrentar a publicidade de produtos ultraprocessados direcionada ao público infantil e facilitar o acesso ao atendimento médico na rede pública. A combinação dessas medidas com o acompanhamento das famílias e a promoção de ambientes favoráveis à alimentação adequada e à atividade física é fundamental para conter o avanço do sobrepeso e da obesidade entre crianças e adolescentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.