ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

19/Oct/2026

Amazônia: ganhos econômicos da preservação

Um estudo liderado pela Rede Amazônia Sustentável (RAS) demonstrou que evitar incêndios e extração de madeira poderia mitigar 68% das perdas de biodiversidade registradas entre 2010 e 2020 em uma área de mais de 3 milhões de hectares na Amazônia. A estratégia também permitiria reduzir em 47% as perdas de carbono. Os resultados foram divulgados pela revista Science às vésperas da Semana do Clima de Nova York. O levantamento concluiu que impedir o desmatamento evitaria 28% dos prejuízos à biodiversidade e 61% das perdas de carbono. Já a restauração de áreas degradadas, quando adotada isoladamente, compensaria apenas 6% das perdas de biodiversidade e 15% das perdas de carbono. Os resultados reforçam a importância de priorizar a conservação da vegetação existente e o controle da degradação, complementados pela recuperação de áreas estratégicas.

A análise também comparou os resultados ambientais com os custos de cada intervenção. A prevenção da degradação florestal apresentou índice médio de custo-efetividade cerca de três vezes superior ao de impedir o desmatamento e quase 15 vezes maior do que o da restauração. Para a conservação do carbono, entretanto, evitar o desmatamento apresentou o maior retorno, seguido pelo controle da degradação e pela restauração. A pesquisa indica que nenhuma estratégia isolada é suficiente para enfrentar a crise das florestas tropicais. A restauração é indispensável, mas não consegue compensar sozinha as perdas enquanto o desmatamento e a degradação continuam avançando. A combinação das três medidas (impedir o desmatamento, combater incêndios e extração de madeira e restaurar áreas degradadas) apresenta os melhores resultados ambientais.

Nesse cenário integrado, a biodiversidade aumentaria 22% e os estoques de carbono cresceriam 42% em relação aos níveis de 2010. A interação entre as medidas potencializa os benefícios, pois florestas preservadas favorecem a recuperação de áreas próximas, enquanto o controle do fogo contribui para a sobrevivência e o amadurecimento da vegetação em regeneração. Os resultados ampliam as possibilidades de atuação das políticas florestais, tradicionalmente concentradas no combate ao desmatamento e na restauração. Entre as medidas apontadas pelos pesquisadores estão a prevenção de incêndios e da extração ilegal de madeira, a garantia de que a exploração autorizada cumpra as regras de manejo sustentável, a redução do uso do fogo em áreas rurais sempre que possível e o fortalecimento das brigadas locais.

Para produtores rurais, empresas agrícolas e demais agentes que trabalham com o uso do solo, as conclusões reforçam a importância de priorizar o manejo adequado e a proteção da vegetação nativa remanescente nas propriedades, complementando essas ações com a restauração quando necessária. A abordagem integrada busca evitar que áreas preservadas sejam destruídas enquanto outras são recuperadas, aumentando a eficiência do investimento ambiental. O estudo reuniu dados de biodiversidade coletados em 381 áreas de amostragem, distribuídas por 38 microbacias, informações socioeconômicas obtidas em entrevistas com 499 propriedades rurais e imagens de satélite de alta resolução. Com base nesse conjunto de informações, os pesquisadores reconstruíram as mudanças ocorridas entre 2010 e 2020 e simularam cenários nos quais as três estratégias seriam implementadas separadamente ou em conjunto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.