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19/Oct/2026

Chuvas irregulares ampliam diferenças entre regiões

Segundo a EarthDaily, empresa especializada em monitoramento agrícola por satélite, a umidade do solo permanece abaixo da média histórica em grande parte de Mato Grosso, apesar das chuvas registradas nas últimas semanas, mantendo o avanço do plantio da soja da safra 2026/27 sob atenção. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a recuperação hídrica foi mais rápida. Na Região Sul do Brasil, o volume de chuva acumulado desde setembro atingiu o maior nível em 11 anos, com impactos potenciais sobre a colheita e a qualidade do trigo. A recuperação da umidade ocorre de forma desigual no Centro-Oeste. Nos últimos dez dias, os maiores volumes de precipitação se concentraram na Região Sul, especialmente no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde os acumulados superaram 70 milímetros em algumas localidades. As chuvas também ficaram acima da média histórica em áreas do Centro-Oeste, contribuindo para a recomposição hídrica e o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho. Entretanto, a distribuição irregular das precipitações ainda limita a recuperação em regiões agrícolas relevantes.

Em Mato Grosso, principal Estado produtor de soja do País, os níveis atuais de umidade do solo continuam inferiores à média histórica, embora tenham melhorado em relação às semanas anteriores. A previsão do modelo meteorológico europeu (ECMWF) para 22 de outubro indica pouca recuperação adicional, com persistência do déficit hídrico em grande parte das áreas agrícolas. Os modelos ECMWF e GFS, este último dos Estados Unidos, também projetam chuvas abaixo da média nos próximos dez dias, cenário que pode restringir o ritmo de plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a umidade do solo apresenta recuperação expressiva desde o início de outubro, com níveis superiores à média histórica e aos observados no mesmo período de 2023, 2024 e 2025. A previsão indica manutenção de condições favoráveis nas próximas semanas, reduzindo o risco de restrições hídricas para o estabelecimento das lavouras de soja e milho. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a disponibilidade de água continua abaixo da média em áreas relevantes, sobretudo em Tocantins e no oeste da Bahia.

Apesar da recuperação pontual em outubro, os níveis de umidade permanecem inferiores aos registrados nos dois anos anteriores. No noroeste de Minas Gerais, onde também há déficit hídrico, a previsão do ECMWF aponta recuperação gradual, com possibilidade de intensificação das chuvas na última semana do mês. As temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte do Centro-Sul contribuem para conservar a umidade do solo, ao reduzir a demanda evaporativa. Esse quadro favorece o estabelecimento das lavouras de verão nas regiões em que as precipitações já foram suficientes para recompor a disponibilidade hídrica. Na Região Sul, o volume de chuva acumulado desde setembro atingiu o maior patamar dos últimos 11 anos, superando inclusive os registros de 2015 e 2023, períodos marcados pela influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

O excesso de precipitação preocupa os produtores de trigo, pois a persistência das chuvas pode dificultar as operações de colheita e comprometer a qualidade dos grãos, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde a colheita ocorre mais tarde do que no Paraná. Para os próximos dez dias, entretanto, os modelos meteorológicos indicam precipitações abaixo da média no território gaúcho, condição que poderá favorecer a retomada dos trabalhos no campo. A previsão também aponta chuvas acima da média em áreas de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, o que tende a contribuir para a manutenção da umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras da safra de verão (1ª safra 2026/2027). Mato Grosso permanece como o principal ponto de atenção no Centro-Oeste, diante da perspectiva de precipitações insuficientes para uma recuperação mais consistente da disponibilidade hídrica. A irregularidade das chuvas mantém diferenças relevantes nas condições de plantio entre as regiões produtoras e exige acompanhamento da evolução da umidade do solo nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.