21/Oct/2026
Segundo o Rabobank, o 15º Plano Quinquenal da China, referente ao período de 2026 a 2030, deve desacelerar o crescimento das importações chinesas de soja, estabilizando os volumes entre 105 milhões e 110 milhões de toneladas por ano. No mercado de carne bovina, a adoção de cotas de salvaguarda deve limitar o acesso de fornecedores estrangeiros. No segmento de proteínas animais, a estratégia chinesa substitui o foco na autossuficiência pela busca de eficiência produtiva, ampliação da capacidade e controle dos picos de importação. O mecanismo de salvaguarda já contribuiu para uma retração de 22% nas exportações brasileiras de carne bovina para a China no acumulado de janeiro a setembro de 2026, em comparação com igual período de 2025. Em setembro de 2026, os embarques brasileiros de carne bovina para o mercado chinês somaram 11 mil toneladas, queda de 94% em relação ao recorde de 187 mil toneladas registrado em setembro de 2025.
O Rabobank prevê a retomada das compras pelos importadores chineses entre o fim de outubro e o início de novembro de 2026. Para 2027, a instituição projeta apenas um aumento marginal das cotas, cenário que tende a estimular a antecipação das compras no primeiro e no segundo trimestres do ano. Para o período de 2026 a 2030, o banco estima crescimento médio anual de 3,6% no consumo chinês de carne de frango e de 0,5% na demanda por carne bovina. Em contrapartida, o consumo de carne suína deve recuar 0,4% ao ano. A demanda chinesa por carne de aves permanece concentrada em cortes ricos em colágeno, como pés e asas. No médio e no longo prazo, entretanto, o Rabobank sinaliza a possibilidade de aumento da concorrência chinesa no mercado internacional de proteínas animais.
Na soja, o plano quinquenal reforça a segurança alimentar, mas não estabelece uma meta de autossuficiência para a oleaginosa, devido às limitações de disponibilidade de terras e recursos hídricos. A demanda chinesa se aproxima de um platô, com importações entre 105 milhões e 110 milhões de toneladas anuais. Esse movimento é influenciado pela redução da inclusão de farelo de soja nas rações animais e pela utilização de fontes alternativas de proteína. Em contraste com a soja, a China busca alcançar a autossuficiência no mercado de milho. O país também poderá utilizar sua capacidade ociosa de esmagamento para processar soja importada e exportar farelo e óleo para países do Sudeste Asiático. Essa estratégia tende a preservar a demanda chinesa pela soja brasileira, mas pode intensificar a concorrência global no mercado de derivados, com maior oferta de farelo e óleo de soja destinados à exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.