22/Oct/2026
O Banco do Brasil desembolsou R$ 31,633 bilhões em financiamentos para o agronegócio no acumulado da safra 2026/27, entre 1º de julho e 19 de outubro, queda de 44,1% em relação aos R$ 56,543 bilhões registrados em igual período da temporada anterior. O montante considera operações de crédito rural e financiamentos destinados à cadeia de valor do setor. A retração acompanha o menor ritmo de desembolsos observado no Plano Safra 2026/27 em todo o mercado. No âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Banco do Brasil desembolsou R$ 8,444 bilhões em crédito rural até 19 de outubro, aumento de 1,7% ante os R$ 8,301 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra passada. Já no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), os financiamentos somaram R$ 4,406 bilhões, recuo de 44,2% na comparação anual. O desempenho do Pronaf permanece próximo ao da temporada anterior, em um cenário de maior regularidade nos pagamentos e adimplência da agricultura familiar.
O crescimento de 1,7% também ocorre após o bom resultado da safra passada. No Pronamp, a queda dos desembolsos está relacionada, em parte, à antecipação de financiamentos de pré-custeio realizada pelo banco na temporada anterior. Entre março e junho deste ano, o BB liberou R$ 3,9 bilhões a mais para médios produtores em relação ao mesmo período do ano passado, antecipando parte do financiamento do ciclo atual. Considerando essas operações, o desempenho do programa supera o que indicam os desembolsos contabilizados a partir de julho. Para a agricultura empresarial, o banco observa redução na concessão de crédito, movimento que também alcança cooperativas e outras instituições financeiras. O aumento da inadimplência restringe o acesso aos financiamentos e eleva a percepção de risco das carteiras rurais, levando os bancos a adotar critérios mais restritivos, inclusive para produtores que não apresentam atrasos nos pagamentos.
O ambiente de maior cautela afeta especialmente os grandes produtores, diante tanto da inadimplência efetiva quanto do risco percebido pelo mercado. Nas operações lastreadas em títulos do agronegócio, os desembolsos do Banco do Brasil recuaram de R$ 6,7 bilhões, entre julho e outubro da safra passada, para cerca de R$ 3,7 bilhões na temporada atual. A redução também está associada ao aumento da inadimplência e à elevação do risco da carteira de crédito rural. A retração é mais acentuada na modalidade de investimento, com exceção do Pronaf, refletindo a cautela dos produtores e os ajustes nas operações diante da menor liquidez do setor. A contenção dos investimentos é considerada compatível com a necessidade de reorganização financeira de produtores endividados ou com fluxo de pagamentos mais apertado. Nesse cenário, a prioridade tende a ser o ajuste das contas, enquanto uma parcela de produtores capitalizados e adimplentes mantém projetos de expansão de área.
Para a safra 2026/27, que começou em 1º de julho e se estende até 30 de junho de 2027, o Banco do Brasil prevê liberar R$ 210 bilhões em financiamentos ao agronegócio, volume 0,5% superior ao desembolsado na temporada 2025/26. Desse total, R$ 170 bilhões serão destinados à agricultura empresarial, incluindo grandes produtores, cooperativas e agroindústrias, para operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização. Outros R$ 40 bilhões serão direcionados à agricultura familiar e aos médios produtores. Dos R$ 170 bilhões previstos para a agricultura empresarial, R$ 25 bilhões deverão financiar a cadeia de valor do agronegócio, incluindo operações de crédito agroindustrial e recursos para capital de giro. Apesar da retração registrada nos desembolsos no início da temporada, o Banco do Brasil mantém a previsão de ampliar marginalmente o volume total de financiamentos e permanece como líder nacional no crédito rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.