26/Oct/2026
A inteligência artificial (IA) vem sendo utilizada como ferramenta de apoio ao planejamento de refeições, ao aproveitamento de ingredientes e à redução do desperdício de alimentos. Segundo a pesquisa Voz do Consumidor 2025, da consultoria PwC, 61% dos brasileiros se sentem confortáveis em utilizar a tecnologia para auxiliar no orçamento destinado a refeições e compras de alimentos, enquanto 56% estão abertos ao uso da IA para planejar cardápios e organizar listas de compras. O interesse está relacionado à preocupação com o descarte de alimentos. O mesmo levantamento identificou que 75% dos entrevistados estão dispostos a comprar apenas as quantidades necessárias para reduzir o desperdício. Quando utilizada adequadamente, a IA pode contribuir para o aproveitamento integral dos alimentos, por meio da identificação de ingredientes disponíveis, da sugestão de receitas que utilizem partes normalmente descartadas e da diversificação das preparações.
Essas aplicações também podem favorecer a economia doméstica e práticas alimentares mais sustentáveis. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude oferecem recursos que podem auxiliar no aproveitamento de alimentos e no planejamento das refeições, inclusive por meio de versões gratuitas sujeitas a limitações de uso. A utilização consiste em informar os ingredientes disponíveis ou enviar fotografias para identificação dos alimentos e solicitação de receitas. Para melhorar as recomendações, é possível indicar o tempo disponível para o preparo, o número de pessoas, as restrições alimentares e a prioridade de consumo de ingredientes próximos do vencimento ou que precisem ser utilizados primeiro. Além da elaboração de receitas, a IA pode contribuir para o planejamento de cardápios semanais, a organização de listas de compras, a diversificação das refeições e a interpretação de rótulos e informações nutricionais.
Essas funcionalidades podem ajudar a adequar as compras ao consumo previsto, reduzir aquisições desnecessárias e melhorar o aproveitamento dos produtos disponíveis em casa. O uso dessas ferramentas, entretanto, exige cuidados com a privacidade e a segurança das informações. Antes de escolher uma plataforma, é necessário verificar como os dados pessoais são utilizados e armazenados. O compartilhamento indevido ou o vazamento de informações pode gerar riscos aos usuários. Por isso, recomenda-se não inserir dados como CPF, RG, endereço residencial, renda e informações bancárias, além de evitar fotografias que revelem detalhes da residência ou permitam identificar a localização do usuário. Outro ponto de atenção é a confiabilidade das respostas geradas pela inteligência artificial.
As plataformas estão sujeitas a erros e não conseguem avaliar integralmente as necessidades individuais de cada pessoa, especialmente quando são necessárias informações clínicas obtidas por exames ou consultas profissionais. No campo da nutrição, a avaliação da qualidade nutricional dos alimentos, das condições de segurança para consumo e das necessidades específicas de cada indivíduo depende de conhecimento técnico-científico. A IA deve, portanto, funcionar como ferramenta complementar para facilitar tarefas cotidianas, sem substituir a orientação profissional individualizada. O desperdício de frutas, verduras e legumes também representa a perda de nutrientes, além do custo financeiro da compra. Quando esses alimentos são descartados, deixam de ser aproveitados fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, que participam de funções relacionadas à saúde intestinal, à resposta imunológica e à proteção celular contra danos oxidativos.
Parte dessas perdas ocorre durante o preparo dos alimentos. Cascas de determinadas frutas e hortaliças podem fornecer fibras e compostos antioxidantes, enquanto talos e folhas podem conter vitaminas e minerais. Algumas sementes também são fontes de proteínas e gorduras insaturadas. O aproveitamento dessas partes pode ampliar o valor nutricional das preparações e reduzir o volume de resíduos gerados nas residências. Nesse contexto, a inteligência artificial pode facilitar a identificação de receitas que utilizem ingredientes pouco aproveitados, como cascas, folhas e talos, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos alimentos adquiridos. Entretanto, as sugestões precisam ser verificadas antes do preparo, pois nem todas as partes dos vegetais são próprias para consumo em qualquer condição. É necessário observar a identificação correta dos ingredientes, a adequação para consumo, a higienização e os métodos de preparo recomendados para garantir a segurança alimentar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.