26/Oct/2026
A renegociação das dívidas rurais deve ser a principal prioridade do próximo presidente da República para o setor de soja, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). A entidade defende o refinanciamento dos débitos com prazos mais longos e juros adequados, além de mudanças no seguro rural e no crédito agrícola, para permitir a recuperação financeira dos produtores e a continuidade da atividade. Em 9 de outubro, a Aprosoja Brasil e suas 16 associações estaduais encaminharam aos candidatos uma carta com reivindicações para o próximo governo. O documento identifica o endividamento como um dos principais problemas do setor e solicita medidas para evitar novas crises financeiras no campo. Segundo o Banco Central, a inadimplência do crédito rural entre pessoas físicas alcançou 9,69% em agosto, o maior nível da série histórica.
A deterioração financeira dos produtores está relacionada à combinação de custos de produção elevados, queda dos preços das commodities e conflitos internacionais. Parte dos agricultores acumula resultados negativos há cerca de três anos, o que amplia a necessidade de medidas que permitam reorganizar as contas das propriedades e manter a capacidade produtiva. Nesse contexto, a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza linhas de crédito para a renegociação de dívidas rurais e de Cédulas de Produto Rural (CPRs), está em tramitação no Congresso Nacional, com prazo de deliberação até 11 de novembro. Um dos entraves apontados pela Aprosoja é a dificuldade de acesso aos mecanismos de renegociação por produtores que não dispõem de garantias suficientes. A proposta da entidade é assegurar condições de refinanciamento com prazos e taxas compatíveis com a geração de receita da atividade agrícola.
O seguro rural também integra a agenda prioritária. A Aprosoja aponta que a cobertura alcança menos de 4% da área de soja. Dados do governo mostram que o seguro rural subvencionado cobriu 3,3% da área cultivada no País em 2025, enquanto a execução dos recursos destinados à subvenção caiu 47,3% no ano, para R$ 565,4 milhões. A redução da proteção financeira aumenta a exposição dos produtores às perdas climáticas e às oscilações de renda, contribuindo para o agravamento do endividamento. A entidade também defende a criação e o fortalecimento de fundos garantidores e a utilização de apólices de seguro como garantia em operações de crédito. O novo marco legal do seguro rural, sancionado em setembro, prevê maior proteção aos recursos da subvenção e permite integrar o seguro às garantias dos financiamentos.
Na avaliação da Aprosoja, uma política de proteção mais abrangente poderia reduzir a necessidade de renegociações sucessivas de dívidas após perdas de produção ou receita. No crédito rural, os juros elevados são apontados como outro obstáculo à recuperação financeira dos agricultores. A entidade defende condições de financiamento com taxas e prazos adequados ao ciclo produtivo, de modo que o crédito contribua para reestruturar a saúde financeira das propriedades. A proposta inclui um refinanciamento capaz de oferecer fôlego financeiro aos produtores e compatibilizar o pagamento dos compromissos com a geração de receitas no campo. A Aprosoja também questiona a evolução dos recursos anunciados no Plano Safra, argumentando que os aumentos nominais ficam abaixo da inflação. Para a temporada 2026/27, o governo anunciou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, alta de 1,7% em relação aos R$ 516,2 bilhões disponibilizados no ciclo anterior.
A entidade considera necessário ampliar as condições de financiamento para enfrentar os custos da atividade e o comprometimento da renda agrícola. Outra preocupação envolve a reforma tributária, cuja implementação avança a partir de 2027. A Aprosoja defende o diferimento do recolhimento dos novos tributos sobre o consumo nas operações do produtor rural pessoa física, para evitar a antecipação de pagamentos antes do recebimento pelas vendas de grãos. A medida é considerada relevante devido à concentração sazonal das receitas agrícolas e à realização de operações comerciais com pagamento futuro. Sem o diferimento, o recolhimento tributário poderá comprometer o capital de giro das propriedades, ampliando as dificuldades de fluxo de caixa em um cenário de elevado endividamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.