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27/Oct/2026

Endividamento do produtor rural exige reestruturação

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) defende que o resultado das urnas seja respeitado e que o próximo governo priorize uma solução estrutural para o endividamento rural. A entidade apresentou propostas para reestruturar dívidas, ampliar o acesso ao crédito e ao seguro agrícola e estimular a industrialização da produção agropecuária. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro declarou que não reconhece o resultado e que pediria a anulação da eleição. Foi ressaltada a necessidade de respeitar o processo democrático e colocar os interesses nacionais acima das disputas políticas. O compromisso da Aprosoja-MT está relacionado ao País e às famílias que dependem da produção rural, com expectativa de que o próximo governo contribua para pacificar o ambiente político, recuperar a confiança e criar condições favoráveis aos investimentos. Apesar dos recordes de produção e exportação do agronegócio, milhares de produtores enfrentam dificuldades financeiras.

De acordo com Beber, os investimentos em tecnologia e produtividade foram acompanhados por compromissos financeiros que se tornaram mais difíceis de cumprir diante dos custos elevados, dos juros e das oscilações de mercado. O aumento da produção, portanto, não garante necessariamente maior rentabilidade ao produtor. Em 9 de outubro, a Aprosoja Brasil e 16 associações estaduais enviaram uma carta aos dois candidatos à Presidência com reivindicações para enfrentar o endividamento rural. O documento apontou inadimplência de 9,7% no crédito rural em agosto e R$ 205 bilhões em operações problemáticas, apesar da produção recorde de soja na safra 2025/26, estimada em 180,4 milhões de toneladas. Para enfrentar o problema, a defesa é por uma reestruturação das dívidas rurais, em vez da simples prorrogação dos vencimentos. A proposta prevê prazos, períodos de carência e juros compatíveis com a capacidade de pagamento dos produtores, além de mecanismos de securitização, que permitem transformar créditos em títulos negociáveis.

As medidas devem atender aos produtores que efetivamente necessitam de apoio, especialmente pequenos e médios. Também propõe a criação de um fundo garantidor de crédito rural, a ampliação do seguro agrícola com recursos previsíveis e melhores condições de financiamento para as próximas safras. Na avaliação da entidade, a continuidade dos ganhos de produção depende de instrumentos financeiros capazes de preservar a capacidade de investimento e evitar que produtores deixem a atividade em razão das dificuldades de pagamento. Na área industrial, é preciso ampliar o processamento interno da produção agrícola, especialmente para a fabricação de biocombustíveis. O avanço do etanol de milho e de cana-de-açúcar, do biodiesel e de outros combustíveis renováveis poderia ampliar a demanda doméstica por matérias-primas e reduzir a dependência das exportações de produtos sem processamento. Como referência, pode-se citar os Estados Unidos, onde a integração entre agricultura, indústria e energia contribuiu para expandir a produção de etanol de milho.

Também é questionada a prioridade concedida a incentivos para a montagem de veículos elétricos com elevado conteúdo importado, em comparação com o apoio à indústria automobilística baseada no etanol e nas tecnologias híbridas flex. A posição não representa oposição aos veículos elétricos, mas uma defesa de maior estímulo às tecnologias que utilizam matérias-primas e cadeias produtivas nacionais. O artigo também destaca os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) como alternativa para ampliar o processamento agrícola brasileiro e as exportações de energia renovável. Na política externa, a Aprosoja-MT defende a manutenção de relações comerciais favoráveis com a China e os Estados Unidos. A estratégia deve priorizar a ampliação de mercados e a atração de investimentos, sem transformar as relações econômicas em disputas ideológicas. Entre as demais reivindicações ao próximo governo estão responsabilidade fiscal, redução dos juros, respeito à propriedade privada, segurança jurídica e investimentos em infraestrutura. Também defende que as divergências políticas não impeçam a cooperação institucional, considerando que a estabilidade econômica e o fortalecimento do agronegócio dependem da capacidade de construir consensos em torno dos interesses nacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.