28/Oct/2026
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pretende manter uma postura de colaboração com o quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pautas convergentes com os interesses do setor e de oposição às medidas consideradas prejudiciais aos produtores rurais. A orientação foi apresentada após a reunião semanal da FPA, a primeira desde a eleição presidencial. A atuação da bancada será orientada pela defesa dos produtores rurais, independentemente da composição do governo federal. Medidas do Executivo alinhadas aos interesses da produção agropecuária poderão contar com apoio e articulação parlamentar, enquanto iniciativas consideradas contrárias à atividade serão alvo de oposição. A ideia é manter essa postura como diretriz de atuação durante o novo mandato presidencial. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, indicou disposição para ampliar a cooperação em temas de interesse comum.
A avaliação é de que o encerramento do processo eleitoral permite retomar o diálogo institucional, embora a aproximação não represente apoio político ao governo. Entre os exemplos de pautas convergentes, o presidente da FPA mencionou a PEC da Transição e a reforma tributária, na qual a bancada apresentou emendas e votou favoravelmente. Em contrapartida, apontou divergências relacionadas à segurança jurídica, às invasões de terras, ao tratamento dispensado aos produtores rurais e às condições de competitividade do setor agropecuário. A relação com o governo dependerá, contudo, da capacidade de superar divergências em áreas consideradas sensíveis para o agronegócio. O setor enfrenta um cenário adverso, marcado pelo foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de aves em Santa Catarina, pelos custos elevados de produção e pelos riscos climáticos associados ao El Niño. Nesse contexto, a FPA pretende priorizar medidas que contribuam para a atividade e se opor a iniciativas que, na avaliação da bancada, agravem as dificuldades dos produtores.
A FPA não indicará o próximo ministro da Agricultura e Pecuária. A justificativa é a necessidade de manter coerência com a posição política da bancada, que não apoiou o atual governo. Apesar disso, pretende preservar o diálogo com os integrantes do futuro ministério e buscar interlocução institucional após a definição dos nomes. A estratégia inclui manter canais de negociação semelhantes aos estabelecidos com o ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro, com o atual titular da Pasta, André de Paula, e com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. Entretanto, a previsão é de dificuldades de relacionamento caso Marina Silva retorne ao Ministério do Meio Ambiente, devido à falta de diálogo que marcou a relação anterior com a ministra. A bancada considera necessário ampliar a interlocução entre governo e sociedade para reduzir a polarização política e identificar pontos de convergência. Foi destacado o fortalecimento da bancada, com aumento do número de senadores e deputados federais eleitos e possibilidade de ampliação de sua representatividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.