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29/Oct/2026

Dólar em leve baixa ante Real com alívio externo

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (28/10) em leve baixa, a R$ 5,34, após se aproximar de R$ 5,40, em meio a rumores sobre possíveis medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para elevar a arrecadação. Na última hora de negócios, a moeda norte-americana perdeu força no mercado internacional, movimento acompanhado pelo câmbio brasileiro. A reversão no exterior ocorreu após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre os efeitos da política monetária. Segundo ele, há um consenso expressivo de que as medidas adotadas começam a produzir resultados e de que o crescimento mais robusto da economia dos Estados Unidos não está provocando aceleração da inflação. Os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e o dólar no mercado internacional passaram a operar em baixa.

Como esperado, o Fed manteve a taxa básica de juros, embora dois integrantes tenham votado a favor de uma elevação de 0,25%. Warsh indicou que as próximas semanas deverão trazer maior clareza sobre as variáveis econômicas e anunciou uma mudança no calendário de decisões monetárias de 2027. Uma das oito reuniões previstas no ano será dedicada exclusivamente à discussão de estratégias, sem decisão sobre os juros. A interpretação da sinalização do banco central norte-americano, porém, permanece divergente. O Commerzbank avaliou que Warsh não apresentou uma justificativa clara para a manutenção dos juros diante do crescimento econômico e da inflação elevada. Os próximos indicadores podem mostrar persistência das pressões inflacionárias, o que mantém a expectativa de uma alta dos juros em dezembro. No mercado doméstico, o dólar chegou à máxima de R$ 5,39, depois de ter recuado até R$ 5,31.

A pressão sobre o Real ganhou força após informações publicadas pelo jornal O Globo sobre a possibilidade de a equipe econômica estudar a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos de renda fixa atualmente isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Porém, a possibilidade de incidência do imposto sobre esses papéis estaria fora do radar do governo, o que pode ter contribuído para a recuperação da moeda brasileira no fim do pregão. A incerteza em torno da política fiscal também continuou influenciando as posições dos investidores. A Bravonte Capital avaliou que sinais de eventual tributação desses títulos indicam uma estratégia de ajuste das contas públicas baseada no aumento da arrecadação, em vez de cortes de gastos. O receio de novas sanções dos Estados Unidos e de uma deterioração das relações entre os dois países, em meio à repercussão da busca de abrigo em território norte-americano por Flávio Bolsonaro, também contribuiu para uma postura mais defensiva dos agentes.

Após a reeleição de Lula, o Société Générale para a América Latina encerrou posições vendidas em dólar e euro contra o Real que havia montado no fim do primeiro turno. Embora mantenha cautela no curto prazo, a avaliação é de que o cenário não aponta necessariamente para uma nova onda de desvalorização da moeda brasileira. Uma composição mais conservadora do Congresso poderia limitar iniciativas de expansão fiscal, enquanto os juros reais elevados e o nível adequado das reservas internacionais podem favorecer uma recuperação do Real. Com o fechamento a R$ 5,34, o dólar recuou 0,19%, mas ainda acumula valorização de 6,95% na semana, impulsionada pela alta superior a 8% registrada na segunda-feira (26/10), após a surpresa dos investidores com a reeleição de Lula. Em outubro, a moeda norte-americana avança 3,19%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.