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30/Oct/2026

Varejo pede ao governo diálogo e previsibilidade

Empresários e entidades representativas do varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para mais quatro anos de mandato, amplie o diálogo com a iniciativa privada e estabeleça canais de interlocução mais próximos com o setor. Entre as principais demandas estão uma sinalização mais clara e consistente sobre o controle da dívida pública, medidas que permitam acelerar a redução da taxa básica de juros, maior prazo para a implementação de mudanças na jornada de trabalho e o adiamento da entrada em vigor de alguns dispositivos da reforma tributária, prevista para janeiro de 2027. O setor avalia que a redução dos juros pode destravar investimentos, estimular as vendas e aliviar o custo de carregamento das dívidas, que tem contribuído para levar empresas varejistas a solicitar recuperação judicial e extrajudicial.

A taxa básica de juros da economia brasileira está em 13,75% ao ano, segundo os dados apresentados na matéria, e serve de referência para o custo do crédito ao consumidor. O Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa cerca de 70 empresas varejistas de médio e grande porte, considera que o novo governo precisa apresentar uma sinalização mais clara sobre como pretende enfrentar o elevado patamar dos juros. A entidade avalia que o custo do crédito afeta diretamente o desempenho das vendas e os níveis de inadimplência, limitando o crescimento do consumo e da atividade varejista. O IDV pretende retomar as conversas com o governo para apresentar dados sobre os efeitos de medidas tributárias para o setor. Um dos pontos citados é a isenção de imposto sobre produtos importados com valor de até US$ 50,00, conhecida como ‘taxa das blusinhas’.

A entidade pretende demonstrar os impactos da ausência de tributação sobre a competitividade da indústria e do varejo nacionais. Embora o IDV não tenha enfrentado dificuldades recentes de interlocução com o governo, a abertura de canais de diálogo não resultou no atendimento de todas as reivindicações do setor. O Magazine Luiza considera que a reprogramação dos gastos públicos é necessária para criar condições para uma redução mais rápida dos juros. O custo elevado do capital, na avaliação do executivo, restringe a capacidade de investimento e de expansão das empresas. Também defende o aprofundamento do diálogo por meio de associações, entidades de classe e organizações setoriais, ressaltando que a reaproximação depende tanto da disposição do governo quanto da iniciativa privada.

Outra reivindicação do varejo é a ampliação do prazo para a implementação da escala de trabalho 5x2, associada à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O setor também pede mais tempo para a entrada em vigor de determinados pontos da reforma tributária, cuja implementação está programada para começar em janeiro de 2027. A avaliação é de que o capital político obtido por Lula nas eleições cria condições para que o governo discuta essas demandas com os empresários. A eventual ampliação dos prazos para as mudanças trabalhistas e tributárias é vista pelo IDV como uma oportunidade para fortalecer a interlocução entre o Executivo e o setor varejista. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.