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30/Oct/2026

El Niño forte pode elevar preços agrícolas em 2027

Segundo o Banco Mundial, o El Niño de 2026/2027 pode se tornar o quinto episódio de intensidade muito forte desde 1950, ampliando os riscos para a produção agrícola e os preços internacionais de alimentos, sobretudo soja, arroz, óleos vegetais e café. A previsão é de persistência do fenômeno até o início de 2027. Embora o impacto sobre os preços mundiais dos alimentos deva ser moderado no cenário central, perdas concentradas em grandes países exportadores podem provocar altas expressivas em determinados produtos, especialmente se coincidirem com novas restrições comerciais e o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro. Desde 1950, foram registrados 27 episódios de El Niño, dos quais quatro atingiram intensidade muito forte: 1982/1983, 1991/1992, 1997/1998 e 2015/2016.

O fenômeno altera a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta. Historicamente, está associado a condições mais secas no norte da América do Sul, na Austrália e em partes da Ásia, enquanto o sudeste da América do Sul tende a registrar precipitações mais intensas, com possibilidade de enchentes. Os efeitos variam conforme a região e a época do ano e podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras, a colheita e o transporte da produção. O Banco Mundial identifica arroz, óleo de palma, café robusta e cacau entre os produtos mais sensíveis ao fenômeno. Em análise de dados de 1970 a 2025, os aumentos anuais de preços dessas commodities foram mais de 10% superiores, seis meses após episódios de El Niño, aos observados depois de períodos de condições climáticas neutras.

Para soja e milho, a diferença ficou próxima de 5%. No trigo e no açúcar, não foi identificada diferença estatisticamente significativa. A maior exposição de algumas commodities está relacionada à concentração geográfica dos principais fornecedores. Mais de três quartos das exportações mundiais de óleo de palma, cacau, café e açúcar têm origem em países considerados altamente expostos ao El Niño. No caso da soja e do arroz, a maior parte dos embarques provém de países com exposição alta ou moderada. As exportações de milho e trigo, por sua vez, estão mais distribuídas entre regiões menos vulneráveis, o que tende a reduzir os efeitos do fenômeno sobre os preços internacionais. Os riscos climáticos já levaram o Banco Mundial a elevar suas projeções para algumas commodities.

Em relação às estimativas de abril, o preço previsto para o óleo de palma em 2027 aumentou 15%, enquanto as projeções para arroz e açúcar subiram 21% e 12%, respectivamente. Para o cacau, a revisão foi de 29%. Os ajustes refletem riscos de perdas de produção e dificuldades de plantio e colheita, embora outros fatores também influenciem os mercados. Na Indonésia, por exemplo, a perspectiva de chuvas abaixo da média gera preocupação com a produção de óleo de palma. Para os grãos, a disponibilidade de estoques mundiais representa um fator de contenção. A relação entre estoques finais e consumo de milho, trigo e arroz deve ficar próxima de 28% em 2026/2027, praticamente em linha com a média de 27,7% dos últimos 30 anos e acima dos 18,1% registrados em 2007/2008, período de forte alta dos alimentos.

Excluída a China, o indicador deve alcançar 17,2%, também acima dos 15% daquela temporada. Segundo o Banco Mundial, essa disponibilidade reduz o risco de uma disparada generalizada dos preços, mas não elimina a possibilidade de problemas localizados de abastecimento. O cenário se torna mais preocupante caso os efeitos climáticos coincidam com novas interrupções no comércio internacional. Em uma simulação adversa, que considera perdas agrícolas mais severas provocadas pelo El Niño, agravamento do conflito no Oriente Médio e dificuldades prolongadas nas exportações de grãos pelo Mar Negro, o Banco Mundial calcula que os preços mundiais dos alimentos poderiam ficar 12% acima da projeção central para 2027, superando os níveis de 2022.

Para os grãos, a diferença chegaria a 20%, enquanto óleos e farelos ficariam 9% acima do previsto. A instituição ressalta que se trata de uma simulação de risco, e não de sua previsão principal. O estudo também aponta que episódios anteriores de El Niño muito forte não provocaram necessariamente altas generalizadas dos alimentos. Em 1997/1998, os preços recuaram em meio ao enfraquecimento da demanda, enquanto, em 2015, a oferta abundante e os menores custos de energia contribuíram para a queda das cotações. Para 2026/2027, a intensidade dos efeitos sobre os mercados agrícolas dependerá da combinação entre condições climáticas, disponibilidade de estoques e evolução dos conflitos comerciais e geopolíticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.