02/Jul/2020
No período (março-abril-maio), 7,993 milhões de pessoas estavam ocupadas na agropecuária, sendo o menor número de ocupados no setor observado para um trimestre desde o início da série histórica da PNAD-C mensal, em 2012. Frente ao trimestre móvel imediatamente anterior, a redução foi de 2,1% ou de 173 mil pessoas e, em relação ao mesmo trimestre móvel de 2019, a queda foi de expressivos 6,8%, o equivalente a 580 mil pessoas. Nesse sentido, o número de ocupados na agropecuária ficou bastante aquém do limite inferior do que pode ser considerado normal. Esse cenário deve estar atrelado aos possíveis efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o setor.
A população agropecuária observada no trimestre móvel encerrado em maio ficou 4,4% (ou 365 mil pessoas) abaixo do que era esperado para esse período. Esse contingente representa por volta de 4,5% do total de ocupados na agropecuária. Neste caso, ressalta-se que é usual observar choques de até 100 mil pessoas entre trimestres, até mesmo choques próximos de 200 mil pessoas já foram verificados, como no trimestre até abril de 2020. Mas, esta foi a primeira vez que o choque ficou superior a 300 mil pessoas. Para referência, considerando-se o cenário geral do País, no trimestre móvel encerrado em maio, 85,9 milhões de pessoas estavam ocupadas no Brasil, número 7,5% menor que o de 92,9 milhões de ocupados no mesmo trimestre móvel de 2019 (7 milhões de pessoas a menos).
Em termos setoriais, a redução do número de ocupados na agropecuária (508 mil pessoas) ainda é pequena frente a outros setores da economia. Para as atividades de comércio, serviços domésticos, alojamento e alimentação e construção, as reduções na comparação entre os trimestres móveis de março-abril-maio/2019 e março-abril-maio/2020 foram de 1,65 milhão, 1,15 milhão, 1,05 milhão e 1,02 milhão, respectivamente. As preocupações com o mercado de trabalho do agronegócio diante da Covid-19 vão além da agropecuária. Como já destacado em estudos anteriores, diversos setores agroindustriais podem ser penalizados pela retração da demanda doméstica, com potencial impacto negativo sobre o nível de empregos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.