ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Jan/2026

Excesso de oferta global limita reação dos preços

Segundo a StoneX, o mercado global de algodão inicia 2026 ainda marcado por ampla disponibilidade de oferta e demanda pouco dinâmica, quadro que manteve os preços pressionados ao longo de 2025. O mercado de algodão teve um ano bastante parado em 2025, com preços negociados em patamares mais baixos desde 2024, refletindo um ambiente de sobreoferta e consumo enfraquecido. Mesmo diante de estímulos pontuais à demanda, o equilíbrio do mercado permaneceu comprometido. O viés baixista esteve diretamente ligado ao excesso de produção acumulado nos últimos meses. O principal fator por trás desse movimento foi a superoferta global, impulsionada por revisões positivas de safra nos principais produtores, especialmente Estados Unidos, Brasil e China. O principal motivo da tendência baixista de longo prazo é um cenário de sobreoferta no mercado global. Nos Estados Unidos, a redução expressiva da área plantada não foi suficiente para provocar um aperto relevante na oferta.

Isso ocorreu porque o desempenho das lavouras surpreendeu positivamente, resultando em produtividades superiores às registradas em 2023. O desenvolvimento saudável dos algodoeiros colaborou com níveis de produtividade significativamente melhores que os vistos em 2023, o que manteve a produção em patamar elevado e os estoques em níveis confortáveis. Do lado da demanda, há uma perda de dinamismo estrutural. A demanda por algodão norte-americano vem recuando nos últimos anos, em meio à menor competitividade da fibra frente aos sintéticos e à desaceleração do setor têxtil global. Apesar do aumento das exportações, esse movimento não foi suficiente para compensar a retração do consumo doméstico. A ampliação das exportações, que alimentavam a demanda externa, não foi suficiente para compensar a perda de demanda interna. No Brasil, o cenário foi distinto. O País apresentou novo avanço produtivo em 2025, favorecido por condições climáticas.

O resultado foi uma colheita robusta, acompanhada por exportações recordes, consolidando o Brasil como principal origem global da fibra. O Brasil apresentou um desempenho surpreendente em relação à safra 2024, além disso foi também ajudado por um clima muito positivo. Os embarques brasileiros devem encerrar 2025 em torno de 3 milhões de toneladas, reforçando a liderança do País no comércio internacional. Esse desempenho ocorreu em um ambiente de preços mais baixos, o que ampliou a competitividade do algodão brasileiro no mercado externo. O Brasil deve terminar 2025 com embarques na ordem de 3 milhões de toneladas. Para 2026, no entanto, a previsão é de uma mudança gradual no balanço global, com expectativa de desaceleração da oferta. Esse movimento deve refletir principalmente ajustes de área em diferentes regiões produtoras. As safras do Hemisfério Norte tendem a apresentar produtividade menor, o que pode reduzir a pressão de oferta observada nos últimos ciclos.

Para além da produção brasileira, as safras do Hemisfério Norte tendem a apresentar níveis de produtividade menores. Na Índia, segundo maior produtor mundial, a suspensão das importações de algodão até 31 de dezembro afetou margens e decisões de plantio. Na Austrália, a tendência é de redução de área após anos de expansão. A área plantada vem apresentando tendência de queda. Do ponto de vista dos estoques globais, o balanço segue confortável, mas com sinais iniciais de inflexão. Apesar dos níveis elevados de produção e estoque, o mercado começa a caminhar para um ajuste mais equilibrado ao longo de 2026. O algodão entra em 2026 ainda sem gatilhos claros para uma recuperação expressiva dos preços, mas com fundamentos mais ajustados do que nos últimos dois anos. A evolução das cotações seguirá dependente, sobretudo, da retomada da demanda do setor têxtil global. A perspectiva é de um mercado mais equilibrado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.