29/Jan/2026
O mercado de algodão atravessa o fim de janeiro com sinais pontuais de reação nos preços domésticos, sustentados por maior presença compradora e por uma postura mais firme dos vendedores, enquanto o cenário internacional segue marcado por ampla disponibilidade de oferta e demanda pouco dinâmica. A combinação mantém o viés estruturalmente pressionado, apesar de movimentos recentes de correção nas bolsas externas. No mercado interno, o Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com pagamento em 8 dias com alta de 0,36% na parcial de janeiro. A recuperação observada ao longo da semana ocorreu mesmo com a retração das cotações internacionais e com a desvalorização do câmbio, levando as negociações no mercado físico a ocorrerem acima da paridade de exportação, situação que não era registrada havia cerca de três meses.
A maior participação compradora e a restrição vendedora elevaram os preços. A liquidez, porém, permanece limitada, em meio à “queda de braço” entre compradores e vendedores. Do lado externo, o excesso de oferta segue limitando uma reação mais consistente das cotações. Segundo a StoneX, o mercado global teve um ano bastante travado em 2025, com preços negociados em patamares mais baixos desde 2024. O principal motivo da tendência baixista de longo prazo é um cenário de sobreoferta no mercado global. Há revisões positivas de safra nos principais produtores, especialmente Estados Unidos, Brasil e China. No Brasil, a StoneX aponta novo avanço produtivo em 2025, favorecido por condições climáticas positivas, com exportações que devem encerrar o ano em torno de 3 milhões de toneladas.
O Brasil apresentou um desempenho surpreendente em relação à safra 2024, além disso foi também ajudado por um clima muito positivo. Esse volume consolidou o País como principal origem global da fibra, mesmo em um ambiente de preços mais baixos. A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS), é de R$ 3,38 por libra-peso (64,14 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e a R$ 3,39 por libra-peso (64,34 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. No campo, a semeadura da safra 2025/2026 avança dentro do cronograma. Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) indicam que 55,5% da área brasileira havia sido plantada até 22 de janeiro. Os trabalhos alcançavam 95% da área no Maranhão, 86,2% em Goiás, 79,84% no Piauí, 75% em Minas Gerais, 64% na Bahia e 48% em Mato Grosso.
Para 2026, a StoneX projeta uma mudança gradual no balanço global, com expectativa de desaceleração da oferta fora do Brasil. Para além da produção brasileira, as safras do Hemisfério Norte tendem a apresentar níveis de produtividade menores. A consultoria também destaca a suspensão das importações de algodão pela Índia até 31 de dezembro, fator que afetou margens e decisões de plantio, além da tendência de redução de área na Austrália. Apesar dos elevados níveis de produção e estoque, o mercado de algodão começa a apresentar sinais de reequilíbrio. A perspectiva é de um ambiente mais ajustado ao longo de 2026, ainda sem gatilhos claros para uma recuperação expressiva dos preços, com a evolução das cotações dependente, sobretudo, da retomada da demanda do setor têxtil global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.