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04/Feb/2026

Algodão inicia 2026 com a liquidez baixa e os preços firmes

O mercado brasileiro de algodão em pluma iniciou 2026 com retomada gradual das atividades, mas com liquidez ainda baixa ao longo de janeiro. O ritmo mais lento refletiu o desacordo entre compradores e vendedores em relação aos preços e o foco dos agentes no cumprimento de contratos a termo, o que restringiu novas negociações a operações pontuais.

Os preços da pluma no mercado spot nacional mostraram momentos de enfraquecimento durante o mês, acompanhando a retração das cotações internacionais, especialmente da paridade de exportação. Ainda assim, em boa parte de janeiro, os valores domésticos reagiram, sustentados pela postura firme dos vendedores. Esse movimento devolveu vantagem à cotação interna frente à externa, cenário que não era observado desde setembro de 2025. A atenção dos produtores esteve concentrada na semeadura e no desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26, reduzindo a disposição para vendas.

Do lado da demanda, as indústrias operaram majoritariamente com estoques próprios e volumes previamente programados, mantendo cautela nas aquisições. O comportamento mais conservador esteve associado ao desempenho abaixo do esperado das vendas de manufaturados, limitando o interesse por novas compras de matéria-prima.

Em janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, recuou 0,31%. Entre 26 de janeiro e 2 de fevereiro, o indicador ficou próximo da estabilidade, com leve alta de 0,07%, encerrando o período em R$ 3,5167 por libra-peso. Na média do mês, a cotação ficou em R$ 3,5101 por libra-peso, avanço de 1,08% em relação a dezembro de 2025, mas queda de 14,44% frente a janeiro de 2025 em termos reais. Em dólar, a média doméstica foi de US$ 0,6560 por libra-peso, cerca de 2,1% acima do primeiro vencimento da ICE Futures US, de US$ 0,6426 por libra-peso, porém 11,9% abaixo do Índice Cotlook A, de US$ 0,7447 por libra-peso.

No mercado internacional, entre 30 de dezembro e 30 de janeiro, a paridade de exportação calculada pelo Cepea recuou 4,9%, para R$ 3,3721 por libra-peso no porto de Santos e R$ 3,3827 por libra-peso em Paranaguá. No mesmo intervalo, o dólar se desvalorizou 4,32% frente ao real, enquanto o Índice Cotlook A registrou queda de 0,47%, para US$ 0,7415 por libra-peso. Na Bolsa de Nova York, os contratos com vencimento em março, maio e julho de 2026 recuaram ao longo do mês, enquanto o contrato de outubro apresentou leve valorização.

Segundo estimativas do Comitê Consultivo Internacional do Algodão, a área mundial cultivada em 2025/26 deve somar 30,58 milhões de hectares, queda de 0,63% em relação à safra anterior. A produtividade tende a crescer 1,82%, alcançando 852,78 quilos por hectare, o que pode resultar em produção global de 26,1 milhões de toneladas, o maior volume desde 2017/18. O consumo mundial é projetado em 25,2 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 9,7 milhões de toneladas e estoques finais em 16,78 milhões de toneladas.

Para o Brasil, as projeções indicam aumento de 13,02% na área cultivada e elevação de 1,63% na produtividade, para 1.958,53 quilos por hectare. Com isso, a produção pode atingir o recorde de 4,25 milhões de toneladas em 2025/26, enquanto as exportações devem somar 3,045 milhões de toneladas. O consumo interno tende à estabilidade, em torno de 752 mil toneladas, e os estoques finais podem alcançar 1,5 milhão de toneladas, o maior volume da série histórica.

No mercado de caroço de algodão, janeiro foi marcado pelo foco nos carregamentos de contratos já firmados, o que limitou novas negociações. Os preços mostraram comportamento misto entre as regiões, com altas mensais em algumas praças de Mato Grosso e da Bahia e recuos em São Paulo, refletindo ajustes locais de oferta e demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.