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05/Feb/2026

Algodão enfrenta excesso de oferta e consumo lento

O mercado de algodão permanece pressionado no início de fevereiro, refletindo um ambiente global marcado por oferta elevada, consumo ainda fraco e preços do petróleo em níveis baixos, o que amplia a competitividade das fibras sintéticas. Esse conjunto de fatores mantém as cotações sob pressão no curto prazo, com pouca margem para reação imediata, apesar de sinais iniciais de possíveis ajustes estruturais mais à frente.

No mercado interno, o Indicador do algodão em pluma, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), encerrou o dia 3 a R$ 3,5428 por libra-peso, com alta diária de 0,74% e avanço de 1,94% na parcial de fevereiro. Em janeiro, o indicador acumulou recuo de 0,31%, mas a média mensal ficou em R$ 3,5101 por libra-peso, 1,08% acima de dezembro de 2025. Ao longo do mês passado, a cotação doméstica operou, em média, 1,7% acima da paridade de exportação, vantagem que não era observada desde setembro de 2025.

Segundo o Cepea, a retomada gradual das atividades após o recesso de fim de ano não foi suficiente para destravar os negócios. O desacordo entre compradores e vendedores quanto aos preços manteve a liquidez baixa em janeiro, com produtores priorizando o cumprimento de contratos a termo e realizando novas negociações apenas de forma pontual. Do lado da demanda, indústrias seguem utilizando estoques próprios ou volumes já programados, em um ambiente de vendas de manufaturados abaixo do esperado, o que tende a limitar novas compras de matéria-prima no curto prazo.

A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS), calculada pelo Cepea, recuou 4,9% em janeiro, encerrando o mês a R$ 3,3721 por libra-peso no porto de Santos (SP) e a R$ 3,3827 por libra-peso no de Paranaguá (PR). No mesmo período, o dólar se desvalorizou 4,32% frente ao real, fechando em R$ 5,251 no dia 30, o que reduziu a competitividade das exportações brasileiras e manteve o ritmo dos embarques condicionado a movimentos cambiais e à demanda externa seletiva.

No mercado internacional, as cotações seguem pressionadas por vendas externas fracas dos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que, na semana encerrada em 22 de janeiro, foram vendidos 203,7 mil fardos de algodão da safra 2025/26, queda de 51% em relação à semana anterior e de 17% frente à média das quatro semanas anteriores. No acumulado do ano comercial, as vendas somam 7,55 milhões de fardos, recuo de 13,2% na comparação anual.

Segundo estimativas do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a produção mundial de algodão em 2025/26 deve totalizar 26,1 milhões de toneladas, aumento de 1,17% em relação à safra anterior e o maior volume desde 2017/18. O consumo global é projetado em 25,2 milhões de toneladas, avanço de apenas 0,31%, enquanto os estoques finais devem alcançar 16,78 milhões de toneladas, alta de 5,57%, cenário que tende a manter os preços pressionados ao longo do primeiro semestre.

Para o Brasil, o Icac projeta produção recorde de 4,25 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 14,86% frente ao ciclo anterior. As exportações devem somar 3,045 milhões de toneladas, alta de 8,75%, enquanto os estoques finais podem atingir 1,5 milhão de toneladas, avanço de 43,35% e o maior volume da série histórica iniciada em 1940/41.

Apesar da pressão predominante no curto prazo, o mercado começa a incorporar a perspectiva de ajustes na área plantada em grandes produtores, movimento que tende a reduzir a oferta global mais adiante. Esse processo, no entanto, ocorre com defasagem e não altera o quadro imediato, ainda marcado por estoques elevados e consumo sem sinais claros de retomada.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.