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12/Feb/2026

Preços do algodão reagem mas oferta global tem viés baixista

Os contratos futuros de algodão registram leve recuperação nesta semana na Bolsa de Nova York (ICE Futures), após um período prolongado de pressão associada a estoques elevados e demanda global enfraquecida. O contrato com vencimento em maio avançava 0,28%, cotado a US$ 0,6396 por libra-peso. No mercado doméstico, o indicador Cepea do algodão em pluma encerrou a última sessão em alta de 0,62%, a R$ 353,51 por libra-peso, acumulando valorização de 1,72% em 30 dias.

Apesar da reação pontual, o cenário internacional segue predominantemente baixista, sustentado por ampla oferta nos Estados Unidos e no Brasil e por consumo global ainda moderado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de estoques finais norte-americanos da safra 2025/26 para 4,4 milhões de fardos, ante 4,2 milhões estimados em janeiro, após revisar para baixo as exportações. A produção foi mantida em 13,9 milhões de fardos (3,02 milhões de toneladas). Com isso, a relação estoque/uso subiu para 32%, reforçando a percepção de mercado confortável e limitando avanços mais consistentes das cotações.

A demanda externa pela fibra norte-americana tem oscilado e permanece abaixo do ritmo necessário para reduzir significativamente os estoques. Nesse ambiente, os contratos chegaram a operar próximos de US$ 0,62 por libra-peso recentemente. Entre 2 e 9 de fevereiro, o contrato março caiu 1,69%, para US$ 0,6161 por libra-peso; o maio/26 recuou 0,99%, para US$ 0,6376; o julho/26 cedeu 0,98%, para US$ 0,6545; e o outubro/26 teve baixa de 0,71%, para US$ 0,6718 por libra-peso.

A recuperação observada no pregão atual está associada, em parte, à alta do petróleo, que tende a elevar o custo das fibras sintéticas derivadas de petroquímicos, favorecendo a competitividade relativa do algodão. Também há componente técnico, com suporte identificado na faixa de US$ 0,62 a US$ 0,63 por libra-peso, estimulando recomposição de posições compradas.

No comércio exterior brasileiro, os embarques de algodão somaram 16,9 mil toneladas em janeiro, volume 23,8% inferior ao de igual mês de 2025. A receita atingiu US$ 489,1 milhões, recuo de 31,2% na comparação anual. Ainda assim, volumes mensais acima de 300 mil toneladas seguem historicamente elevados para o padrão brasileiro, mantendo a percepção de fluxo consistente de exportações ao longo da safra.

Embora haja leve reação nos preços, a consolidação de uma tendência altista dependerá de melhora efetiva nas exportações norte-americanas, redução dos estoques globais ou avanço mais consistente da demanda internacional pela fibra.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.