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19/Feb/2026

Preço global pode subir com redução na produção

O mercado de algodão ainda digere o peso de uma supersafra histórica, e esse excesso de oferta segue ditando o comportamento dos preços. Segundo a StoneX, o ciclo baixista de 2025 foi moldado por revisões sucessivas de produção nos principais países exportadores, com o Brasil desempenhando papel central. A oferta estrutural excessiva no mercado de algodão ofuscou fatores que deveriam ser de suporte, como os cortes de juros nos Estados Unidos e a melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e China. A leitura para os próximos meses, porém, incorpora um início de ajuste na oferta. O Itaú BBA aponta que a expectativa de corte na produção mundial a partir da próxima temporada, com safra menor no Brasil, possível redução de área nos Estados Unidos e recuo da produção chinesa, confere viés de potencial recuperação para os preços no segundo semestre de 2026, conforme já sinaliza a curva futura na Bolsa de Nova York.

No mercado interno, os preços seguem contidos dentro da mesma faixa estreita observada desde outubro de 2025. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, fechou a R$ 3,50 por libra-peso no dia 13 de fevereiro, última sessão antes do Carnaval, período em que o Cepea não operou. O indicador recuou 0,65% no dia, mas acumulava alta de 1,07% na parcial de fevereiro. Nos últimos três meses, as cotações permaneceram entre R$ 3,42 e R$ 3,56 por libra-peso, intervalo de apenas 4%, com os preços externos e o câmbio impedindo um rompimento dessa banda. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos futuros operaram em alta nesta quarta-feira (18/02), acompanhando a valorização do petróleo, que desestimula fibras sintéticas e favorece o algodão. O movimento contrasta com a tendência das últimas semanas: nas primeiras semanas de fevereiro, os futuros cederam em média 3,7%, para 61,80 centavos de dólar por libra-peso, após encerrarem janeiro a 64,20 centavos de dólar por libra-peso.

No cenário global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) voltou a elevar a estimativa de produção da China para 7,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026, ajustando a produção mundial para 26,1 milhões de toneladas, alta de 1,1% ante 2024/2025. Com o consumo revisado para baixo em 100 mil toneladas, para 25,8 milhões de toneladas, o estoque final global subiu para 16,4 milhões de toneladas, incremento de 1,8% sobre o ciclo anterior e acima da média dos últimos cinco anos, estimada em 16 milhões de toneladas. Segundo o Itaú BBA, os elevados níveis de estoque devem seguir limitando movimentos de alta. No Brasil, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou a área de Mato Grosso na safra 2025/2026 para 1,4 milhão de hectares, recuo de 8% frente ao ciclo anterior, reflexo do aumento dos custos e da compressão das margens.

A produtividade estimada caiu para 291 arrobas por hectare, queda de 7,7%, o que deve resultar em produção de pluma de 2,6 milhões de toneladas, retração de 15% ante as 3 milhões colhidas em 2024/2025. A StoneX projeta corte ainda maior: recuo de cerca de 450 mil toneladas na produção brasileira de 2026, aproximadamente 11% ante a safra excepcional anterior, de 4,15 milhões de toneladas. Na Austrália, fontes locais indicam corte superior a 20% na área plantada. Apesar disso, a semeadura da safra 2025/2026 avança em bom ritmo. As exportações brasileiras perderam força no início de 2026. Em janeiro, o Brasil embarcou 316,86 mil toneladas, volume 23,8% inferior ao de janeiro de 2025 (415,6 mil toneladas) e 30% abaixo de dezembro. O preço médio de exportação recuou para 70,01 centavos de dólar por libra-peso, o menor desde dezembro de 2020 e queda de 9,8% ante janeiro do ano passado.

Em moeda nacional, a média ficou em R$ 3,73 por libra-peso, cerca de 6,4% acima do preço do mercado spot, diferencial que mantém o estímulo exportador. A demanda segue sendo o nó central da pressão atual. Três fatores explicam a resistência do consumo a reagir mesmo com preços baixos: o crescimento econômico global mais lento, que pesa sobre o consumo têxtil; o barateamento do petróleo, que torna as fibras sintéticas mais competitivas; e um declínio estrutural no consumo global de algodão observado nos últimos anos. Nos mercados de grãos, preços mais baixos tendem a incentivar o consumo. No algodão, isso não acontece. Ainda assim, a oferta começa a se ajustar. No Brasil, a depreciação de preços do ano passado já está reduzindo a área plantada. Nos Estados Unidos, os preços deprimidos também devem desestimular o plantio quando a temporada se aproximar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.