19/Feb/2026
O algodão em pluma continua apresentando sinais de equilíbrio no mercado doméstico. Enquanto a oferta segue confortável, a demanda não apresenta variações relevantes. De modo geral, a cotação encontra suporte na posição firme de parte dos vendedores, sobretudo para lotes de qualidade superior. Alguns compradores, contudo, tentam negociar a valores menores. Esse cenário mantém os preços estáveis e limita a maior liquidez no spot. Vale considerar que, com o recesso de Carnaval, até mesmo por questões logísticas, parte dos agentes optou por adiar as negociações. Além disso, as empresas monitoram atentamente o desempenho das vendas de seus manufaturados, cuja performance, em diversos casos, segue inferior às expectativas. No campo, os produtores estão em reta final da semeadura da temporada 2025/2026. Assim, em meio à “queda de braço” entre agentes, o Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias registra recuo de apenas 0,05% nos últimos sete dias, a R$ 3,51 por libra-peso. Na parcial de fevereiro, o Indicador acumula alta de 1,04%.
Ainda na parcial do mês, a cotação doméstica está, em média, 6,1% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,32 por libra-peso (63,68 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,33 por libra-peso (63,88 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os primeiros vencimentos apresentam pequenas oscilações. Nos últimos sete dias, o contrato Março/2026 tem leve baixa de 0,15%, para 61,52 centavos de dólar por libra-peso; o Maio/2026 registra recuo de 0,19%, para 63,64 centavos de dólar por libra-peso, e o Julho/2026 apresenta leve queda de 0,12%, para 65,37 centavos de dólar por libra-peso. O contrato Outubro/2026 tem avanço de 0,15% no mesmo comparativo, a 67,28 centavos de dólar por libra-peso. Dados divulgados no dia 12 de fevereiro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam revisão mensal negativa de 0,4% tanto na área quanto na produção nacional, pressionada pelos reajustes negativos de 0,5% para Mato Grosso.
Sendo assim, a produção brasileira de algodão pode somar 3,8 milhões de toneladas na safra 2025/2026, sendo 6,7% abaixo da temporada anterior, mas ainda a segunda maior da história. Esse resultado se deve à redução de 3,2% na área cultivada frente à safra 2024/2025, para 2,018 milhões de hectares, e à menor produtividade (-3,6% em relação à temporada anterior), estimada em 1.884 Kg por hectare. Em Mato Grosso, a Conab indica área de 1,41 milhão de hectares e produtividade de 1.859 Kg por hectare, baixas de 3,5% e 4,7%, respectivamente, quando comparadas às da safra 2024/2025. Logo, a produção pode chegar em 2,62 milhões de toneladas na temporada 2025/2026, queda de 8% frente à anterior. Conforme dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 10 de fevereiro, a produção mundial de algodão na safra 2025/2026 pode atingir 26,096 milhões de toneladas, volume apenas 0,4% superior ao estimado no mês anterior e 1,1% acima do da safra 2024/2025. O consumo global foi projetado em 25,847 milhões de toneladas, quedas de 0,2% frente ao relatório anterior e em relação à temporada passada. Assim, o consumo deve ficar 0,95% abaixo da oferta na safra 2025/2026.
As transações globais foram revisadas para baixo em apenas 0,1% no comparativo mensal e estão projetadas em 9,52 milhões de toneladas para a safra 2025/2026. Em relação à temporada anterior, são esperados aumentos de 1,6% nas importações e de 3,12% nas exportações. As compras devem ser lideradas pelo Vietnã, seguido por Bangladesh e Paquistão, enquanto a China ocupa a quarta posição no ranking, com aumentos de 3,7% no mês e de 8% se comparado à safra anterior. Os estoques globais são estimados pelo USDA em 16,353 milhões de toneladas, com altas de 0,8% no mês e de 1,8% na comparação anual. Para o Brasil, especificamente, diante de uma produção brasileira recorde e do consumo próximo da estabilidade, o volume estocado deve chegar a 930 mil toneladas, o maior da história. Quanto ao preço, o valor médio pago ao produtor norte-americano está projetado em 60,00 centavos de dólar por libra-peso, retração de 1,64% frente a 61,00 centavos de dólar por libra-peso estimado em janeiro/2026. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.