ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

25/Feb/2026

Preço do algodão pressionado no mercado interno

Os preços internos do algodão em pluma vêm sentindo a pressão vinda da desvalorização do dólar frente ao Real. Vale lembrar que o câmbio em queda diminuiu a atratividade da venda externa, à medida que reduz a paridade de exportação. Nem mesmo os avanços nas cotações externas, devido sobretudo à valorização do petróleo, são suficientes para elevar os preços domésticos. No campo, enquanto agentes brasileiros seguem focados na finalização da semeadura da safra 2025/2026, no Hemisfério Norte, os produtores começam o planejamento da temporada 2026/2027, que, inclusive, deve ser menor que a safra atual. No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias registra recuo de 1,09% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,49 por libra-peso. Mesmo assim, na parcial de fevereiro, o Indicador ainda acumula alta de 0,59%.

A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,31 por libra-peso (64,19 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,32 por libra-peso (64,40 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá, com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Este é o resultado da desvalorização do dólar frente ao Real, que fechou o dia 23 de fevereiro no menor patamar nominal desde o dia 28 de maio de 2024 (R$ 5,16). Os quatro primeiros vencimentos futuros negociados na Bolsa de Nova York são impulsionados pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelas primeiras projeções da safra 2026/2027, que apontam menores volumes de produção e de estoque norte-americano. O contrato Março/2026 registra alta de 3,32% nos últimos sete dias, a 63,56 centavos de dólar por libra-peso; o Maio/2026 tem aumento de 2,36%, para 65,14 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/2026 tem alta de 2,22%, para 66,82 centavos de dólar por libra-peso; e o contrato Outubro/2026 tem aumento de 1,65% nos últimos sete dias, para 68,39 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 13 dias úteis de fevereiro, o Brasil exportou 218,7 mil toneladas de algodão, com média diária de 16,8 mil toneladas, contra 13,7 mil toneladas há um ano (+22,5%). Mantido esse ritmo, o volume mensal poderá chegar a 300 mil toneladas, acima das 274,6 mil toneladas de fevereiro/2025. Na parcial da safra 2025/2026 (de agosto/2025 até fevereiro/2026), o volume embarcado se aproxima de 2 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um ajuste moderado na oferta global de algodão para a próxima temporada. A produção mundial é estimada em aproximadamente 25,3 milhões de toneladas, retração de 3,2% em relação ao ciclo anterior, refletindo menores área e produtividade em grandes produtores como a China, o Brasil e os Estados Unidos. Em contrapartida, o consumo global deve atingir cerca de 26,2 milhões de toneladas, avanço de 1,2%, superando a produção e reduzindo os estoques finais mundiais para aproximadamente 15,5 milhões de toneladas (-5,2%).

Esse aperto relativo dos estoques tende a sustentar uma leve recuperação dos preços, com o Índice Cotlook A projetado em 78,00 centavos de dólar por libra-peso. Apesar disso, o setor continua enfrentando pressão estrutural das fibras sintéticas, cuja expansão limita ganhos mais expressivos na participação do algodão no mercado têxtil global. Nos Estados Unidos, a área cultivada deve alcançar cerca de 3,8 milhões de hectares, aumento de 1,3% frente ao ano anterior. Contudo, a área colhida é projetada em torno de 3,1 milhões de hectares (-2,2%), devido à maior taxa de abandono esperada, especialmente no sudoeste do país. A produtividade média permanece estável em cerca de 960 Kg por hectare de algodão em pluma, resultando em produção de aproximadamente 3 milhões de toneladas, queda de 2,3%. A oferta total norte-americana (estoques iniciais + produção) alcança cerca de 3,9 milhões de toneladas, leve alta do ano anterior, diante dos maiores estoques de passagem.

Como o uso doméstico norte-americano permanece limitado em torno de 350 mil toneladas, as exportações estão previstas em cerca de 2,7 milhões de toneladas (+1,7%), mantendo os Estados Unidos como o segundo maior exportador global, atrás do Brasil. A estimativa é de que o preço médio a ser recebido pelo produtor norte-americano seja de 63,00 centavos de dólar por libra-peso (+5%), sustentado pela menor disponibilidade global e pela recuperação gradual do consumo. Em síntese, o cenário para o algodão indica um mercado global mais ajustado, com demanda levemente superior à produção, estoques em queda e preços moderadamente mais firmes. Ainda assim, o crescimento permanece condicionado à dinâmica macroeconômica mundial, às mudanças nos fluxos comerciais e, sobretudo, à concorrência contínua das fibras sintéticas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.