26/Feb/2026
O mercado brasileiro de algodão continua pressionado pelo câmbio, com a desvalorização do dólar frente ao Real reduzindo a paridade de exportação e limitando a reação dos preços domésticos, mesmo diante da recuperação das cotações na Bolsa de Nova York. O câmbio em queda diminuiu a atratividade da venda externa, e nem mesmo os avanços nas cotações internacionais são suficientes para sustentar altas no mercado interno. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, registra recuo de 1,09% nos últimos sete dias. Ainda assim, na parcial de fevereiro, o Indicador acumula leve alta de 0,60%. A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 3,31 por libra-peso (64,19 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,32 por libra-peso (64,40 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR) com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. O movimento reflete a desvalorização do dólar.
Na Bolsa de Nova York, o cenário é diferente. Os contratos futuros do algodão consolidam recuperação desde o início do mês. O suporte externo vem das primeiras estimativas para a safra 2026/2027 divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Fórum de Perspectivas Agrícolas. A produção norte-americana deve recuar 2,3%, com queda de 4,5% nos estoques finais. No cenário global, a produção é estimada em 25,3 milhões de toneladas, retração de 3,2%, enquanto o consumo deve alcançar 26,2 milhões de toneladas, volume superior à oferta. Os estoques finais mundiais devem recuar 5,2%, para cerca de 15,5 milhões de toneladas, indicando um balanço mais ajustado para o próximo ciclo. Como fator limitador, o mercado digere incertezas comerciais geradas pela intenção do presidente Donald Trump de implementar novas tarifas lineares de 10% a 15%. No Brasil, as exportações seguem em ritmo elevado. Em 13 dias úteis de fevereiro, o País embarcou 218,7 mil toneladas, com média diária de 16,8 mil toneladas, alta de 22,5% frente ao mesmo período do ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Mantido o ritmo, o volume mensal pode alcançar 300 mil toneladas, acima das 274,6 mil toneladas exportadas em fevereiro de 2025. Na parcial da safra 2025/2026, iniciada em agosto, os embarques se aproximam de 2 milhões de toneladas. No campo, o plantio da safra 2025/2026 está praticamente encerrado. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a semeadura atingiu 99,45% da área projetada, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). No Hemisfério Norte, produtores dos Estados Unidos e da China iniciam o planejamento para 2026/2027 com viés de redução de área. Nos Estados Unidos, o custo de produção elevado desestimula a semeadura, enquanto na China o governo avalia redirecionar incentivos para culturas alimentícias em províncias que tradicionalmente cultivavam algodão, concentrando a produção da fibra no noroeste do país, onde está praticamente 90% da colheita local.
O Banco do Brasil avalia que o mercado global ainda apresenta oferta levemente superior ao consumo no curto prazo, mas que o recuo de área em grandes produtores pode reduzir a disponibilidade a partir do próximo ciclo. O cenário de preços mais baixos desestimulou o cultivo de algodão, e a área de plantio no Brasil diminuiu 3,2% em relação à safra passada. O plantio no País encerrou, e o destaque foi a velocidade, sobretudo em Mato Grosso, que em 31 de janeiro havia semeado praticamente 70% da área prevista. O aperto gradual dos estoques mundiais tende a sustentar uma leve recuperação dos preços no próximo ciclo, com o Índice Cotlook A projetado em 78,00 centavos de dólar por libra-peso. Ainda assim, a pressão estrutural das fibras sintéticas, favorecidas pela queda do petróleo, segue como fator limitante para ganhos mais expressivos. No curto prazo, a trajetória do dólar segue sendo a principal variável para a formação dos preços internos da pluma. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.