04/Mar/2026
Os preços do algodão em pluma encerraram fevereiro praticamente estáveis, em um ambiente de baixa liquidez no mercado spot nacional. A negociação foi limitada pelo impasse entre vendedores e compradores, com produtores mantendo firmeza nos valores pedidos, especialmente para lotes de qualidade superior, amparados pelas valorizações externas e pelo cenário de entressafra no Brasil. Parte dos vendedores concentrou esforços na comercialização da soja e no manejo da nova safra de algodão, enquanto aproveitou momentos de alta na Bolsa de Nova York para fixação de contratos em aberto e avanço nas negociações das safras 2025/26 e 2026/27. No lado da demanda, indústrias demonstraram cautela diante do desempenho das vendas de manufaturados e do nível elevado de estoques, o que resultou em aquisições pontuais de matéria-prima e tentativas de negociação a preços menores. O cumprimento de contratos a termo também contribuiu para o abastecimento das unidades industriais, reduzindo a necessidade de compras adicionais no mercado disponível.
Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, acumulou alta de 1,36%, encerrando o dia 27 a R$ 3,52 por libra-peso. Nos últimos sete dias, especificamente, o avanço é de 0,83%, a R$ 3,52 por libra-peso. Na média mensal, a cotação doméstica ficou 5,4% acima da paridade de exportação, configurando a maior vantagem desde agosto de 2025. A média de fevereiro foi de R$ 3,52 por libra-peso, elevação de 0,29% frente a janeiro de 2026, mas recuo de 13,24% em relação a fevereiro de 2025 (em termos reais, atualizados pelo IGP-DI de janeiro de 2026). Em dólar, a média doméstica foi de 67,49 centavos de dólar por libra-peso, 8,1% superior ao primeiro vencimento da Bolsa de Nova York, de 62,42 centavos de dólar por libra-peso, e 8,8% inferior ao Índice Cotlook A, de 73,98 centavos de dólar por libra-peso.
A paridade de exportação (FAS) calculada pelo Cepea avançou 0,88% em fevereiro, a R$ 3,40 por libra-peso (66,22 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e R$ 3,41 por libra-peso (66,43 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Em fevereiro, o dólar recuou 2,17% frente ao Real, cotado a R$ 5,13 no dia 27. Apesar do recuo dos primeiros vencimentos futuros nos últimos sete dias, o acumulado de fevereiro foi positivo. Entre 30 de janeiro e 27 de fevereiro, o contrato março/26 avançou 0,7%, para 63,61 centavos de dólar por libra-peso; o maio/2026 subiu 1,05%, para 65,61 centavos de dólar por libra-peso; o julho/26 teve alta de 1,16%, para 67,32 centavos de dólar por libra-peso; e o outubro/26 aumentou 1%, para 68,67 centavos de dólar por libra-peso.
Projeções do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) indicam que a área mundial na safra 2026/27 pode atingir 32,31 milhões de hectares, expansão de 5,61% frente à temporada anterior. A produtividade média global, no entanto, pode recuar 4,85%, para 808,62 Kg por hectare, limitando o crescimento da produção a 0,49%, estimada em 26,13 milhões de toneladas. O consumo mundial pode alcançar 25,9 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 2,94% em relação à safra 2025/26, ficando 0,74% abaixo da oferta global. As exportações são projetadas em 9,95 milhões de toneladas, alta de 1,13%, enquanto os estoques finais podem somar 17,14 milhões de toneladas, incremento de 2,26% frente à temporada anterior.
Para o Brasil, a projeção indica retração de 5,53% na área e de 4,61% na produtividade na safra 2026/27 em comparação com 2025/26. A produção pode recuar 9,88%, alcançando 3,83 milhões de toneladas, ainda assim o segundo maior volume da série histórica. O consumo interno deve permanecer em torno de 754 mil toneladas, avanço de 0,27%, enquanto as exportações podem cair 6,25% frente ao recorde anterior, para 3 milhões de toneladas, mantendo o País na liderança global. Os estoques finais podem atingir 1,43 milhão de toneladas, alta de 5,78% frente à safra 2025/26, configurando o maior volume desde 1940/1941. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.