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05/Mar/2026

Preços do algodão estáveis com liquidez limitada

O mercado brasileiro de algodão inicia março com liquidez reduzida no mercado spot, em ambiente de negociações cautelosas. A sustentação das indicações por parte dos produtores, especialmente para lotes de qualidade superior, contrasta com a postura mais seletiva das indústrias, que operam com estoques elevados e realizam aquisições pontuais. No cenário internacional, as cotações na Bolsa de Nova York apresentam recuperação recente, ampliando a diferença entre os preços domésticos e a paridade de exportação. O Indicador CEPEA, com pagamento em oito dias, está cotado a R$ 3,47 por libra-peso. Em fevereiro, o Indicador acumulou alta de 1,36%, encerrando o mês a R$ 3,52 por libra-peso. A média mensal foi de R$ 3,52 por libra-peso, avanço de 0,29% frente a janeiro, mas recuo de 13,24% em termos reais na comparação com fevereiro de 2025. Ao longo de fevereiro, a liquidez permaneceu limitada. Em período de entressafra, parte dos produtores concentrou esforços na comercialização da soja e nas atividades de campo da nova safra.

Movimentos de valorização na Bolsa de Nova York foram aproveitados para fixação de contratos em aberto e realização de novos negócios envolvendo as safras 2025/26 e 2026/27. Do lado da demanda, indústrias demonstram preocupação com o desempenho das vendas de manufaturados e com níveis elevados de estoques, o que levou à priorização do cumprimento de contratos a termo e à busca por preços mais competitivos. Nesse contexto, a cotação doméstica permaneceu, em média, 5,4% acima da paridade de exportação em fevereiro, maior vantagem desde agosto de 2025. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,40 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,41 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, reduzindo a competitividade das fibras sintéticas e podendo favorecer a demanda pela fibra natural.

No acumulado de fevereiro, os contratos registraram desempenho positivo. Entre 30 de janeiro e 27 de fevereiro, o contrato março/2026 avançou 0,7%, para 63,61 centavos de dólar por libra-peso; o maio/2026 subiu 1,05%, para 65,61 centavos de dólar por libra-peso; o julho/2026 ganhou 1,16%, para 67,32 centavos de dólar por libra-peso; e o outubro/2026 avançou 1%, para 68,67 centavos de dólar por libra-peso. No Brasil, as estimativas para a safra 2025/26 em Mato Grosso indicam área de 1,42 milhão de hectares, queda de 8,06% frente ao ciclo anterior. A produtividade foi mantida em 290,88 arrobas por hectare, recuo de 7,69%. A produção de algodão em caroço permanece estimada em 6,21 milhões de toneladas, redução de 15,13%, enquanto a produção de pluma segue projetada em 2,56 milhões de toneladas. As exportações do Estado continuam estimadas em 2,04 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 1,67%, enquanto o consumo interno foi projetado em 46,22 mil toneladas, avanço de 11,59%.

Para a safra 2024/25, os estoques finais permanecem estimados em 947,29 mil toneladas, maior patamar da série histórica. Desse total, 796,59 mil toneladas já foram vendidas para embarque ao longo da safra 2025/26, e 150,69 mil toneladas ainda não foram negociadas. No cenário global, a área mundial da safra 2026/27 pode atingir 32,31 milhões de hectares, aumento de 5,61%. A produtividade pode recuar 4,85%, para 808,62 quilos por hectare, resultando em produção global de 26,13 milhões de toneladas, alta de 0,49%. O consumo mundial é projetado em 25,9 milhões de toneladas, avanço de 2,94%. Para o Brasil, a área pode recuar 5,53% e a produtividade 4,61%, resultando em produção de 3,83 milhões de toneladas, queda de 9,88%, ainda assim o segundo maior volume da série histórica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.