ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

18/Mar/2026

Preços do algodão avançam no mercado doméstico

Os preços do algodão em pluma reagiram nestes últimos dias no Brasil, chegando a superar os R$ 3,60 por libra-peso. Vale lembrar que, desde outubro de 2025, os valores operavam dentro de um pequeno intervalo, entre R$ 3,40 e R$ 3,50 por libra-peso. O impulso vem das recentes valorizações externas da pluma, do período de entressafra no Brasil e do aumento dos custos logísticos (por conta sobretudo da alta no preço do diesel). Esses fatores têm mantido vendedores firmes nos valores pedidos para novos negócios. Parte dos compradores, por sua vez, se mostra disposta a pagar mais por novos lotes no mercado spot. Outra parcela das indústrias permanece focada no cumprimento de contratos a termo e atenta ao desempenho das vendas de manufaturados. O Indicador CEPEA/ESALQ (com pagamento em 8 dias) registra avanço de 2,68% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,65 por libra-peso, o maior valor nominal desde 30 de setembro de 2025 (R$ 3,65 por libra-peso).

Na parcial de março, o Indicador acumula alta de 3,62%. No mesmo período, a cotação doméstica ficou, em média, 4,3% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,43 por libra-peso (65,63 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,44 por libra-peso (65,83 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. As tensões geopolíticas globais seguem sustentando o mercado de energia, mantendo o petróleo em alta e impulsionando os contratos futuros na Bolsa de Nova York. Nesse cenário, nos últimos sete dias, o contrato Maio/26 tem alta de 5,52%, para 68,19 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/2026 registra avanço de 5,24%, para 70,06 centavos de dólar por libra-peso; o Outubro/2026 com alta de 4,77%, para 71,67 centavos de dólar por libra-peso; e o Dezembro/2026 tem aumento de 3,82%, a 71,98 centavos de dólar por libra-peso.

O contrato Março/26 se encerrou no dia 9, a 63,59 centavos de dólar por libra-peso, com leve alta de 0,03% entre 27 de fevereiro e 9 de março. Esse cenário externo mais firme, aliado às fixações de contratos em aberto, tem estimulado a negociação de novos contratos a termo, tanto para a pluma da temporada 2025/26 quanto para a safra 2026/27. Dados divulgados pela Companhia nacional de Abastecimento (Conab) neste mês mostram estabilidade nas estimativas em relação ao relatório anterior. A área cultivada está prevista em 2,04 milhões de hectares, 0,22% inferior à de fevereiro/26 e 3,5% inferior à da safra passada. A produtividade média é estimada em 1.885 Kg/ha (-3,6%), enquanto a produção deve totalizar 3,795 milhões de toneladas, recuos de 0,21% no mês e de 6,9% em relação à safra 2024/25. Do lado da demanda, o consumo nacional para 2025/26 foi projetado em 725 mil toneladas, com leve alta de 0,69% em relação ao relatório anterior.

As exportações, por sua vez, podem atingir 3,225 milhões de toneladas, avanços de 5,91% em relação à estimativa de fevereiro/26 e de 6,58% frente à temporada 2024/25. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório divulgado no dia 10 de março, a produção mundial de algodão na safra 2025/26 deve alcançar 26,343 milhões de toneladas, aumentos de 0,9% frente ao mês anterior e de 2,1% em relação à safra passada. O destaque continua sendo o Brasil, cuja produção foi revisada para cima em 4% no comparativo mensal e pode atingir o recorde de 4,246 milhões de toneladas, 14,7% acima da temporada anterior. O consumo global foi estimado em 25,817 milhões de toneladas, leves quedas de 0,1% frente ao relatório anterior e de 0,3% na comparação anual, mesmo diante de uma recuperação parcial da demanda chinesa.

Assim, o consumo deve ficar cerca de 2% abaixo da oferta na safra 2025/26. As transações globais foram revisadas para cima em 0,5% no mês, totalizando 9,56 milhões de toneladas. Em relação à safra 2024/25, são esperados aumentos de 2% nas importações e de 3,5% nas exportações, com o Brasil mantendo a liderança global. Os estoques mundiais estão projetados em 16,631 milhões de toneladas, altas de 1,7% no mês e de 3,6% no ano. No caso do Brasil, os estoques foram novamente revisados para cima, podendo atingir um recorde de 1,094 milhão de toneladas, com expressivos aumentos de 17,6% frente a fevereiro e de 47% na comparação anual. Quanto aos preços, o valor médio pago ao produtor norte-americano permanece estimado 60,00 centavos de dólar por libra-peso, estável em relação ao relatório anterior. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.