19/Mar/2026
O mercado de algodão registra valorização no curto prazo, com a formação de preços cada vez mais influenciada pelas condições climáticas nos Estados Unidos, especialmente diante do início do plantio da safra 2026/27. A proximidade da semeadura, aliada à umidade abaixo da média em regiões produtoras relevantes, como Texas e Delta do Mississippi, adiciona risco à oferta futura e sustenta os contratos internacionais. Esse fator desloca o foco do mercado, anteriormente centrado em variáveis macroeconômicas, para os fundamentos climáticos da nova safra norte-americana. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros voltaram a testar os maiores níveis do ano, refletindo a maior sensibilidade do mercado a possíveis perdas produtivas.
A valorização do petróleo também contribui para o suporte às cotações, ao reduzir a competitividade das fibras sintéticas, enquanto o enfraquecimento do dólar favorece a demanda pela pluma norte-americana. No mercado interno, os preços acompanham o movimento externo. O Indicador Cepea/Esalq registra avanço no mês, atingindo patamares que não eram observados desde setembro de 2025 em dólares. A combinação entre valorização internacional, período de entressafra e custos logísticos mais elevados mantém a postura firme dos vendedores e sustenta as cotações domésticas acima da paridade de exportação. Apesar do suporte recente, o balanço global ainda indica conforto na oferta. As estimativas mais recentes apontam produção mundial de 26,343 milhões de toneladas, consumo de 25,817 milhões de toneladas e estoques finais de 16,631 milhões de toneladas, configurando superávit na temporada 2025/26.
O Brasil contribui para esse cenário, com expectativa de produção elevada na safra 2025/26, mesmo diante de ajustes de área. Os volumes permanecem historicamente altos, reforçando a disponibilidade global. No segmento de caroço de algodão, o ritmo de comercialização segue lento, com percentual negociado abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior e da média histórica, indicando retenção de oferta por parte dos produtores à espera de melhores condições de preço. O quadro combina suporte climático no curto prazo com fundamentos globais ainda folgados, o que tende a manter a volatilidade e limitar movimentos mais intensos de alta no mercado internacional e doméstico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.