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26/Mar/2026

Preços firmes com demanda externa e risco climático

O mercado de algodão brasileiro registra recuperação de preços em março, sustentada pela maior atratividade das exportações e por sinais de possível aperto na oferta global, ainda condicionado à volatilidade do petróleo e às incertezas sobre a demanda. A elevação da paridade de exportação e a valorização do Índice Cotlook A contribuem para o suporte às cotações da pluma no mercado doméstico, em contexto de maior interesse comprador externo. O cenário global aponta menor oferta entre os principais exportadores, com redução da área plantada nos Estados Unidos, retração da 2ª safra no Brasil e restrições hídricas na Austrália, tendência que pode sustentar os preços na Bolsa de Nova York, dependendo do desempenho macroeconômico global. No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em 8 dias acumula valorização superior a 5% no mês e opera próximo dos maiores níveis desde setembro de 2025.

A maior atratividade externa tem estimulado compras a preços mais elevados, enquanto vendedores permanecem firmes nas pedidas. A liquidez no mercado doméstico segue seletiva, com parte das indústrias ativas no mercado spot enfrentando dificuldades na aprovação de lotes e na conciliação de preços, enquanto outros agentes permanecem abastecidos e focados na comercialização de produtos manufaturados. As exportações reforçam o quadro de demanda firme, com embarques de 238,29 mil toneladas nos primeiros 15 dias úteis de março, apresentando média diária 26,2% superior ao mesmo período de 2025, indicando continuidade do interesse externo mesmo diante da valorização recente da pluma. No mercado internacional, contratos futuros na Bolsa de Nova York testaram níveis mais elevados, encerrando o vencimento maio/26 em 67,62 centavos de dólar por libra-peso, alta de 44 pontos (0,65%), e operando posteriormente em leve recuo de 2 pontos (0,03%), refletindo queda do petróleo e recuo do dólar, evidenciando a influência de variáveis macroeconômicas de curto prazo.

O efeito do petróleo sobre o poliéster, principal concorrente do algodão, ocorreu de forma gradual, impactando a competitividade e dando suporte às cotações recentes, embora choques na energia possam reduzir o consumo e afetar a demanda pela fibra. No campo, a safra brasileira segue desenvolvimento dentro do esperado, enquanto o mercado internacional incorpora riscos para o ciclo 2026/27, com mais de 80% das áreas nos Estados Unidos enfrentando algum nível de seca antes do plantio, comprometendo o potencial produtivo inicial. Apesar da valorização recente, a disponibilidade de curto prazo permanece confortável, mantendo o mercado em equilíbrio sensível entre fundamentos folgados e sinais iniciais de ajuste na oferta global, perspectiva que deve orientar os preços ao longo do segundo semestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.