27/Mar/2026
Segundo o Rabobank, a safra brasileira de algodão 2025/26 deve entregar 3,8 milhões de toneladas de pluma, queda de 7% ante o ciclo anterior, com área 3% menor e produtividade dentro da média. O recuo na oferta, porém, não deve sustentar os preços: os estoques globais devem crescer 4% ao fim da temporada, mantendo o viés de baixa nas cotações internacionais. O ambiente externo oferece pouco alívio. Desde dezembro, o petróleo acumula alta de 42%, mas as cotações da pluma em Nova York avançaram apenas 1% no mesmo período, indicando reação contida da fibra natural. Apesar da forte valorização do poliéster, que subiu 16,3% na última semana em razão da alta do petróleo, o banco não projeta migração relevante da demanda para o algodão.
O quadro macroeconômico, ainda pressionado pela inflação e pela perda de poder de compra, limita o consumo global de têxteis. Vale notar que, mesmo antes do conflito no Oriente Médio, já não se previa expansão relevante do consumo. O agravamento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã aumentou a incerteza global e eleva os custos logísticos, com potencial de reduzir o consumo de fibras e afetar negativamente os embarques brasileiros nos próximos meses. Não se projeta uma recuperação expressiva de preços no curto prazo, em razão do elevado nível de incerteza geopolítica, do enfraquecimento do consumo global e da recomposição dos estoques internacionais. O ciclo que se encerra, por sua vez, foi de recordes.
A produção brasileira de pluma em 2024/25 atingiu 4,1 milhões de toneladas, alta de 350 mil toneladas ante o ciclo anterior. Após início de temporada mais lento, os embarques ganharam tração no último trimestre de 2025, puxados pelas vendas à China. Os embarques ao mercado chinês avançaram 38% no acumulado de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, enquanto as exportações totais somaram 2,0 milhões de toneladas no mesmo intervalo, resultado 4,5% superior ao de um ano antes. No mercado interno, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou comercialização de 59% da pluma em Mato Grosso, avanço de 5% em relação a igual período de 2025. Para os próximos meses, a sazonalidade das exportações, somada ao encarecimento do frete marítimo e dos seguros, aponta para retração nos embarques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.