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01/Apr/2026

Preços do algodão avançam no mercado doméstico

Após meses operando em faixa relativamente estreita, os preços do algodão em pluma ganharam força em março, impulsionados pela resistência vendedora, pelo aquecimento da demanda e pelo suporte do mercado externo. Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ já se aproxima de R$ 3,90 por libra-peso e registra a maior alta mensal desde agosto de 2022. Ao longo de março, os vendedores se mantiveram firmes, atentos à valorização internacional, enquanto compradores (tanto os agentes da indústria doméstica quanto de tradings voltadas à exportação) ampliaram sua atuação.

O movimento de avanço nos preços internos também foi sustentado por fatores como a valorização externa do petróleo, o encarecimento do frete e o elevado comprometimento da safra 2024/25. Em março, o Indicador CEPEA/ESALQ, pagamento em 8 dias acumulou expressivo aumento de 10,70%, cotado a R$ 3,89 por libra-peso, o maior valor nominal desde 29 de agosto de 2025 (R$ 3,90 por libra-peso). Trata-se, até o momento, da maior variação mensal positiva desde agosto de 2022, quando o aumento foi de 12,08%. Nos últimos sete dias, o Indicador tem alta de 5,38%. No mês de março, a cotação doméstica ficou, em média, 4,4% acima da paridade de exportação.

A média mensal do Indicador atingiu R$ 3,64 por libra-peso em março/26, alta de 3,58% em relação a fevereiro/26. Em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/26), o valor, contudo, ainda é 11,35% inferior ao de março/25. Em dólar, a média doméstica foi de 69,45 centavos de dólar por libra-peso até o dia 30 de março, sendo 4,9% acima do primeiro vencimento na Bolsa de Nova York, mas 9,5% abaixo do Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Em março, a paridade de exportação (FAS) avançou mais de 7%, alcançando R$ 3,65 por libra-peso (69,50 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e R$ 3,66 por libra-peso (69,70 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.

Na Bolsa de Nova York, os contratos também registraram ganhos, sobretudo nos últimos dias do mês passado. Em março, o contrato Maio/26 avançou 7%, para 70,19 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/26 subiu 7,58%, para 72,42 centavos de dólar por libra-peso; o Outubro/26 teve alta de 8,02%, para 74,18 centavos de dólar por libra-peso; e o Dezembro/26 se valorizou 7,04%, a 74,61 centavos de dólar por libra-peso. Agentes também seguem atentos ao relatório de intenção de semeadura nos Estados Unidos, às condições climáticas e ao andamento das atividades no campo daquele país.

Relatório divulgado em 26 de março pelo Cotton Outlook projeta a produção mundial de algodão em 25,11 milhões de toneladas na safra 2026/27, com leve alta de 0,1% frente à estimativa de fevereiro, mas ainda 4,7% inferior ao volume previsto para 2025/26. Para o Brasil, a produção foi mantida em 3,75 milhões de toneladas na temporada 2026/27. Para 2025/26, houve pequena revisão negativa de 0,13% entre fevereiro e março, para 3,795 milhões de toneladas. O consumo mundial é estimado em 25,405 milhões de toneladas para 2026/27, com crescimentos de 0,69% no mês e de 0,2% em relação à safra anterior. Assim, a demanda global deve superar a oferta em cerca de 1,17%. No Brasil, o consumo interno pode avançar 2,8%, alcançando 740 mil toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.