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02/Apr/2026

Preços do algodão sustentados no mercado interno

O mercado de algodão inicia abril com sustentação nos preços domésticos, enquanto o cenário internacional volta a indicar pressão, em função da expectativa de maior oferta nos Estados Unidos. No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq encerrou março em R$ 3,91 por libra-peso, com valorização diária de 0,45% e avanço acumulado de 11,20% no mês, configurando a maior alta mensal desde agosto de 2022. O movimento reflete maior presença compradora, resistência dos vendedores e suporte do mercado externo, em um ambiente de entressafra. A paridade de exportação também apresentou elevação, com avanço de cerca de 7% entre o fim de fevereiro e o final de março, impulsionada pela valorização do índice internacional e do dólar. Nesse contexto, a cotação interna permaneceu, em média, 4,4% acima da paridade, favorecendo as negociações no mercado doméstico.

Apesar da firmeza no Brasil, o ambiente global segue como fator limitador. A oferta mundial permanece elevada, com estoques confortáveis e demanda ainda enfraquecida, restringindo movimentos mais consistentes de alta nas cotações. Esse cenário ganhou força com a divulgação de dados de plantio nos Estados Unidos, que indicaram área de 3,90 milhões de hectares, superior ao ciclo anterior. A perspectiva de maior produção no país reforça o viés de pressão sobre os preços internacionais. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros reagiram negativamente, refletindo o ajuste diante da expectativa de aumento da oferta global. Adicionalmente, a recente queda do petróleo reduz a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas, retirando parte do suporte observado anteriormente. Por outro lado, a desvalorização do dólar atua como fator de sustentação ao tornar o produto norte-americano mais competitivo no comércio internacional.

As projeções globais indicam produção de 25,11 milhões de toneladas na safra 2026/27, praticamente estável em relação à estimativa anterior, mas 4,7% inferior ao ciclo 2025/26. O consumo mundial é estimado em 25,405 milhões de toneladas, indicando leve déficit. No Brasil, a produção deve alcançar 3,75 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno tende a crescer 2,8%, chegando a 740 mil toneladas. O mercado permanece sensível a mudanças no balanço global, com possíveis fatores de suporte ligados a quebras de safra no Hemisfério Norte, aumento das compras chinesas e alterações em políticas comerciais. Em sentido oposto, a continuidade de demanda fraca ou nova expansão da oferta entre grandes exportadores pode intensificar a pressão sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.