08/Apr/2026
Após a expressiva alta registrada em março, os preços do algodão em pluma seguem sustentados neste início de abril, ainda que o ritmo de negócios tenha perdido a força. O feriado da Paixão de Cristo reforçou a retração de parte dos agentes, reduzindo a liquidez, enquanto divergências quanto aos preços e à qualidade dos lotes continuam a limitar a efetivação de negócios no mercado spot. Ainda assim, verifica-se a atuação pontual de demandantes. Parte das indústrias utiliza estoques e/ou volumes já programados. O setor também segue atento ao repasse dos custos mais elevados, como pluma e diesel, aos produtos manufaturados.
Do lado vendedor, a postura permanece firme, sustentada pelas recentes valorizações e pelas expectativas em relação à nova safra. Após o avanço de 11,2% em março, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, registra alta de 0,4% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,91 por libra-peso. No dia 1º de abril, a cotação atingiu R$ 3,96 por libra-peso, o maior valor nominal desde agosto de 2025. Ainda assim, no acumulado da parcial de abril, observa-se leve retração de 0,05%. No período, a média doméstica segue 8,2% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,64 por libra-peso (70,71 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,65 por libra-peso (70,92 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
Na Bolsa de Nova York, os principais contratos registram valorização nos últimos dias, impulsionados pela alta do petróleo, pela desvalorização do dólar e por dados indicando melhor desempenho das vendas norte-americanas. Nos últimos sete dias, o contrato Maio/26 registra alta de 2,11%, a 71,67 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/26 tem avanço de 1,96%, para 73,84 centavos de dólar por libra-peso; o Outubro/26 registra alta de 2,18%, a 75,80 centavos de dólar por libra-peso; e o Dezembro/26 apresenta valorização de 1,53%, para 75,75 centavos de dólar por libra-peso. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área semeada nos Estados Unidos na safra 2026/27 pode atingir 3,9 milhões de hectares, 3,85% acima da cultivada em 2025/26 (3,76 milhões de hectares), mas 13,8% inferior à de 2024/25 (4,53 milhões de hectares).
No Texas, principal estado produtor, responsável por 57% da área nacional, a previsão é de aumento de 3,74%, para 2,23 milhões de hectares, frente aos 2,15 milhões da safra anterior. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a estimativa de área mundial para 2026/27 foi revisada para 30,17 milhões de hectares, queda de 6,63% frente ao relatório anterior e de 1,04% em relação à safra passada. A produtividade, por sua vez, foi ajustada positivamente em 2,1% no mês, mas ainda pode recuar 3,14% frente a 2025/26, para 825,61 Kg por hectare. Assim, a produção global é estimada em 24,908 milhões de toneladas, 4,15% acima da temporada anterior, apesar da revisão negativa de 4,67% em relação ao mês passado.
O consumo mundial deve atingir 25,058 milhões de toneladas, com redução de 3,38% no mês e leve queda de 0,4% frente a 2025/26, permanecendo apenas 0,6% acima da oferta. As exportações são projetadas em 9,646 milhões de toneladas (-3,07% no mês e -2,47% na comparação anual), enquanto os estoques finais são estimados em 16,233 milhões de toneladas, 0,93% inferiores aos da safra anterior, após queda de 5,27% no comparativo mensal. Para o Brasil, o Icac manteve as projeções, com ajustes apenas nos estoques da safra 2026/27, estimados em 1,46 milhão de toneladas, alta de 2,24% no mês e de 5,65% frente à temporada 2025/26. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.