09/Apr/2026
O mercado brasileiro de algodão inicia abril com preços sustentados, refletindo a postura firme dos vendedores, o desempenho recorde das exportações e as preocupações com a oferta global diante da seca nos Estados Unidos. O Indicador do algodão em pluma registra valorização no início do mês, com cotação de R$ 3,93 por libra-peso, acumulando alta de 0,51% na parcial de abril. No início do período, os preços atingiram R$ 3,96 por libra-peso, o maior valor nominal desde agosto de 2025. Apesar da menor liquidez, o mercado segue sustentado. A redução no ritmo de negócios está associada à atuação pontual da demanda e ao uso de estoques por parte da indústria, enquanto os vendedores mantêm posição firme diante das recentes valorizações e das expectativas para a nova safra.
A média doméstica permanece 8,2% acima da paridade de exportação. As exportações brasileiras alcançaram 347,8 mil toneladas em março, estabelecendo recorde para o mês, com alta de 45,4% na comparação anual. A China liderou as compras, seguida por Bangladesh, Índia e Vietnã, reforçando a demanda internacional pela pluma brasileira. No mercado externo, a paridade de exportação apresentou leve recuo no início de abril, influenciada pela desvalorização do dólar frente ao real. Em contrapartida, os preços internacionais mostraram avanço, com o Índice Cotlook A registrando alta no período. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros recuaram após sequência de altas, pressionados por realização de lucros e pelo avanço do plantio nos Estados Unidos.
Ainda assim, o cenário climático segue como fator de sustentação, com 88% das áreas produtoras norte-americanas afetadas por algum nível de seca, elevando as preocupações com a produtividade. O custo de produção nos Estados Unidos permanece acima dos níveis atuais de preços futuros, o que limita a rentabilidade do produtor e adiciona suporte ao mercado. No cenário global, os estoques ainda são considerados confortáveis, mas a combinação de clima adverso nos Estados Unidos e perspectivas de safras menores em grandes produtores sustenta o viés de firmeza. O mercado passa a precificar riscos futuros de oferta, mais do que escassez imediata. As estimativas globais indicam leve crescimento da produção, com consumo próximo à oferta, mantendo equilíbrio ajustado entre oferta e demanda. Os estoques finais apresentam leve recuo, reforçando a atenção do mercado para possíveis apertos no curto e médio prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.