23/Apr/2026
O mercado de algodão passa por uma fase de transição, com sustentação dos preços associada à perspectiva de menor oferta global, enquanto o avanço do plantio nos Estados Unidos reduz o ímpeto de alta no curto prazo. O movimento de valorização está ligado principalmente ao lado produtivo. O mercado de algodão tem mostrado uma recuperação sólida, mas isso está muito mais ligado às expectativas de produção do que à demanda, que ainda não tem força. A tendência é de redução na produção em grandes origens ao longo de 2026, como Brasil, Austrália, China e Estados Unidos, o que pode levar a um ajuste gradual após um período prolongado de preços pressionados. O clima segue como variável relevante, com a persistência de condições secas em áreas produtoras norte-americanas podendo limitar o potencial da nova safra.
No Brasil, as cotações permanecem firmes. O Indicador Esalq/Cepea, com pagamento em 8 dias, está cotado a R$ 3,99 por libra-peso, maior valor desde agosto de 2025. Na parcial do mês, a alta é de 1,86%, com a pluma negociada, em média, 7,3% acima da paridade de exportação. O movimento é atribuído à postura firme dos vendedores, mesmo com negociações ainda limitadas. Os preços internos vêm registrando pequenos avanços diários nesta segunda quinzena de abril e já se aproximam dos R$ 4,00 por libra-peso. Os produtores acompanham tanto o mercado externo quanto o desenvolvimento da safra 2025/26, que apresenta bom desempenho. No exterior, o avanço do plantio nos Estados Unidos reduz a percepção de risco imediato e limita novas altas.
Na Bolsa de Nova York, os contratos passaram a oscilar em faixa mais estreita após a sequência de ganhos, refletindo um movimento de ajuste diante das condições iniciais mais favoráveis da safra. Ainda assim, o ambiente externo segue oferecendo sustentação. O petróleo em patamar elevado reduz a competitividade de fibras sintéticas, enquanto o dólar mais fraco favorece a demanda pela pluma norte-americana. A paridade de exportação reforça esse cenário no mercado físico brasileiro. A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 3,77 por libra-peso no Porto de Santos (SP), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. No dia 21 de abril, o Indicador atingiu 89,10 centavos de dólar por libra-peso, maior nível desde maio de 2024.
A comercialização também acompanha esse ambiente. Dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) indicam que os contratos da safra 2024/25 somam 1,4 milhão de toneladas, equivalente a 29% da produção estimada. Para a safra 2025/26, o volume alcança 830 mil toneladas, ou 22% do total esperado. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que 65,6% da produção já foi negociada, acima da média histórica. Apesar da alta nos preços, o consumo global ainda limita movimentos mais amplos. A demanda por algodão é muito influenciada pelas condições econômicas, já que está ligada a bens de consumo. Em um cenário de inflação mais alta ou crescimento mais fraco, o consumo tende a ser afetado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.