23/Apr/2026
Os preços internos do algodão em pluma vêm registrando pequenos avanços diários nesta segunda quinzena de abril e já se aproximam dos R$ 4,00 por libra-peso. O suporte vem sobretudo da postura firme da maior parte dos vendedores. Muitos destes agentes estão atentos aos maiores valores da pluma no mercado externo. Os produtores também estão acompanhando o desenvolvimento das lavouras da temporada 2025/26, que vem apresentando bom desempenho. No geral, enquanto alguns agentes permanecem cumprindo os contratos a termo, outros demonstram interesse por novas negociações. No entanto, a dificuldade de acordo entre compradores e vendedores limita a liquidez. Do lado comprador, as indústrias monitoram as vendas e o repasse dos valores para os manufaturados. Comerciantes, por sua vez, buscam realizar negócios “casados” e/ou aquisições de lotes para atender as programações.
No campo, dados recentes divulgados pela Companhia nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, na safra 2025/26, 80,6% das lavouras estão em formação de maçãs; 7,2%, em maturação; 6,3% em desenvolvimento vegetativo; e 5,9%, em floração. Nesse cenário, o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em 8 dias) registra alta de 1,71% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,99 por libra-peso, o maior valor nominal desde o dia 19 de agosto de 2025 (R$ 3,99 por libra-peso). Na parcial de abril, a alta é de 1,86%. No mesmo intervalo, a cotação doméstica está, em média, 7,3% acima da paridade de exportação, a maior vantagem do Indicador desde julho/25, quando chegou a 8,4%. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,77 por libra-peso (75,85 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,78 por libra-peso (76,06 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
No dia 21 de abril, o Índice Cotlook A atingiu 89,10 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor nominal desde o final de maio de 2024 (90,10 centavos de dólar por libra-peso. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros seguem em alta, ainda influenciados pelo clima seco nas regiões de cultivo norte-americano e pelos momentos de fortalecimento do petróleo. O contrato Maio/26 tem alta de 5% nos últimos sete dias; o Julho/26 registra avanço 5,52%; o Outubro/26 com alta de 5,5%; e o Dezembro/26 apresenta valorização de 5,12% no mesmo período. De acordo com dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), os contratos registrados até o dia 22 de abril, referentes à safra 2024/25, somavam 1,4 milhão de toneladas, o que representa 29% da produção nacional estimada pela Conab. Para a temporada 2025/26, o registro totaliza 830 mil toneladas, o que seria equivalente a 22% do volume esperado a ser colhido pela Conab.
Desse volume, 409,4 mil toneladas são destinadas ao mercado interno; 314,2 mil toneladas, para exportação; e 106,6 mil toneladas, para contratos flex. Para a safra 2026/27, a BBM aponta que pelo menos 158,6 mil toneladas já foram comercializadas. Em Mato Grosso, os últimos dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que 65,60% da pluma da temporada 2025/26 foi comercializada, percentual superior ao do mesmo período do ano anterior (56,83%) e acima da média das últimas cinco safras (61,85%), evidenciando o maior interesse por negociações futuras, influenciadas especialmente pela recuperação nos valores da fibra. Para a safra 2024/25, 92,1% da temporada atual já foi comercializada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.