29/Apr/2026
O movimento de alta nos preços do algodão em pluma segue firme no Brasil. Diante disso, o Indicador CEPEA/ESALQ, pagamento em 8 dias, já opera no maior patamar nominal desde o fim de julho de 2025. O avanço é sustentado sobretudo pelos valores internacionais mais firmes e pela postura resistente dos vendedores brasileiros neste período de entressafra. Também reforçam o cenário altista os atuais valores elevados de negociação do petróleo, o que, por sua vez, é influenciado por tensões logísticas e geopolíticas, e o acompanhamento das condições climáticas no Brasil e nos Estados Unidos. No mercado spot, a comercialização ocorre de forma pontual, voltada sobretudo ao atendimento de necessidades imediatas e à reposição de estoques.
Um volume mais amplo de negócio permanece limitado pelo desencontro entre as expectativas de compradores e vendedores. Do lado da demanda, indústrias relatam dificuldade em repassar aos fios e demais manufaturados as recentes valorizações observadas na matéria-prima e em outros insumos. As vendas no varejo seguem enfraquecidas, o que mantém compras cautelosas ao longo da cadeia produtiva. Dentre os fatores que restringem o consumo estão os juros elevados, o alto endividamento das famílias e a inflação. O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, registra avanço de 2,99% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,10 por libra-peso, o maior valor nominal desde 31 de julho de 2025, quando esteve em R$ 4,13 por libra-peso. Na parcial de abril, a alta acumulada é de 4,91%.
No mesmo intervalo, a cotação interna está, em média, 6,8% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,86 por libra-peso (77,62 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,87 por libra-peso (77,83 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os primeiros vencimentos permanecem firmes, sustentados pelo petróleo valorizado e pelo clima seco nos Estados Unidos. O contrato Maio/26 registra recuo de 0,35% nos últimos sete dias; o Julho/26 tem baixa de 0,57% e o Outubro/26, queda de 0,18%. O vencimento Dezembro/26 registra avanço de 0,26% nos últimos sete dias.
Para as lavouras norte-americanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que 16% da área prevista para o algodão nos Estados Unidos havia sido semeada até 26 de abril, avanço de cinco pontos percentuais em relação à semana anterior e ritmo superior ao observado no mesmo período de 2025 (14%) e à média das últimas cinco safras (13%). Em 16 dias úteis de abril, o Brasil exportou 296,7 mil toneladas de algodão, já se configurando como o maior volume da história para um mês de abril. A média diária foi de 18,5 mil toneladas, 55,1% acima das 11,96 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. Mantido esse ritmo, os embarques podem alcançar 370,8 mil toneladas no fechamento do mês.
Na parcial da safra 2025/26 (de agosto/25 até a quarta semana de abril/26), os embarques já superam 2,6 milhões de toneladas, volume apenas 7% inferior ao total exportado em toda a safra passada (de agosto/24 a julho/25), quando o Brasil embarcou 2,84 milhões de toneladas. Já nos últimos 12 meses, o acumulado já soma 3,09 milhões de toneladas até a parcial de abril, um novo recorde. Quanto aos preços, a média das exportações está em 68,74 centavos de dólar por libra-peso na parcial de abril/26, apenas 0,6% inferior à de março/26, mas 7,1% abaixo da registrada em abril/25 (74,01 centavos de dólar por libra-peso). Em moeda nacional, a média equivale a R$ 3,46 por libra-peso, 12,9% abaixo do valor praticado no mercado spot interno (R$ 3,97 por libra-peso), a maior diferença negativa desde fevereiro de 2023, quando a exportação ficou 15,2% abaixo da cotação doméstica.
Ao longo de abril, diversas programações de entregas futuras seguem sendo monitoradas, envolvendo tanto a safra 2025/26 quanto a 2026/27, destinadas aos mercados interno e externo. As negociações incluem preços fixados em Reais ou em dólares, além de operações atreladas ao Indicador CEPEA/ESALQ e aos contratos da ICE Futures. Na parcial de abril, os negócios para exportação com embarques no segundo semestre de 2026 apresentam média de 79,23 centavos de dólar por libra-peso, em valores FOB no Porto de Santos (SP), 3% acima da registrada no mês anterior (76,95 centavos de dólar por libra-peso). Para a safra 2026/27, a média das negociações para o segundo semestre de 2027 está em 78,67 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 8% frente à média de março/26 (72,90 centavos de dólar por libra-peso). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.