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30/Apr/2026

Preços do algodão no maior nível em quase 1 ano

Os preços do algodão em pluma no Brasil atingiram o maior nível nominal desde julho de 2025, sustentados pela valorização internacional e pela postura firme dos vendedores em período de entressafra. O movimento ocorre em um ambiente de oferta mais ajustada, mas com limitações impostas por demanda ainda cautelosa e ausência de eventos climáticos relevantes que alterem o balanço global. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, está cotado a R$ 4,10 por libra-peso, maior valor desde 31 de julho de 2025, quando atingiu R$ 4,13 por libra-peso. Nos últimos sete dias, o Indicador avançou 2,99%, acumulando alta de 4,90% na parcial de abril. O suporte vem das cotações externas e da resistência dos vendedores em negociar. O ajuste de preços é influenciado principalmente pela oferta global, em um contexto de redução de produção em diversos países após períodos prolongados de preços baixos. A relação com o mercado de petróleo também contribui para a valorização, ao elevar a competitividade da fibra natural frente às sintéticas.

Apesar da tendência de alta, o avanço encontra limites na ausência de novos vetores, como eventos climáticos adversos relevantes ou nova escalada dos preços do petróleo. Nos Estados Unidos, dificuldades pontuais no plantio, especialmente no Texas, permanecem no radar, mas ainda sem impacto significativo sobre o equilíbrio global. No mercado físico brasileiro, as cotações operam, em média, 6,8% acima da paridade de exportação, enquanto a liquidez segue restrita, com negociações pontuais voltadas à reposição de estoques, refletindo o desencontro entre preços pedidos e ofertados. A demanda permanece pressionada ao longo da cadeia têxtil, com vendas no varejo enfraquecidas e compras cautelosas, influenciadas por juros elevados, alto endividamento das famílias e inflação. As exportações brasileiras seguem em ritmo elevado. Em 16 dias úteis de abril, os embarques totalizaram 296,7 mil toneladas, configurando recorde histórico para o mês, com média diária de 18,5 mil toneladas, 55,1% acima do mesmo período de 2025. Mantido o ritmo, o volume pode alcançar 370,8 mil toneladas no fechamento do mês.

Na safra 2025/26, os embarques já superam 2,6 milhões de toneladas. A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS) registra avanço de 2,5% nos últimos sete dias, para R$ 3,86 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 3,87 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. No mercado internacional, os contratos futuros na ICE Futures US apresentam acomodação após sequência de altas, pressionados pelo avanço do plantio nos Estados Unidos. A semeadura da safra 2026/27 alcança 16% da área prevista, acima da média de 13% dos últimos cinco anos, enquanto no Texas atinge 20%, também acima do padrão histórico. A evolução do plantio reduz riscos imediatos sobre a oferta, embora as condições climáticas permaneçam determinantes para a formação de preços nas próximas semanas. No Brasil, o nível do câmbio ainda limita incentivos à expansão de área, com perspectiva de manutenção ou leve redução no plantio de algodão na safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.