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13/May/2026

Preços do algodão avançam no mercado doméstico

O ritmo acelerado das exportações brasileiras de algodão em pluma segue sustentando o mercado doméstico e aproxima o País de um novo recorde histórico de embarques, mesmo restando praticamente três meses para o encerramento do período de exportação de pluma colhida em 2025. Ao mesmo tempo, os preços internos continuam avançando, impulsionados pela postura firme de vendedores, pelas valorizações externas e pela oferta limitada típica do período de entressafra. Em abril, o Brasil exportou 370,4 mil toneladas de algodão, volume 6,5% superior ao de março/26 e expressivos 54,9% acima do registrado em abril/25, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Trata-se do maior volume já embarcado para um mês de abril, ficando apenas 18% abaixo do recorde histórico mensal, de 452,5 mil toneladas, observado em dezembro/25. O desempenho segue forte neste início de maio: em apenas cinco dias úteis, os embarques somaram 95,96 mil toneladas, com média diária de 19,1 mil toneladas, mais que o dobro da verificada há um ano (+110%).

Na parcial das exportações da safra 2024/25 (de ago/25 a jul/26), considerando o período de agosto/25 até a primeira semana de maio/26, os embarques já alcançam 2,81 milhões de toneladas, praticamente igualando o total exportado em toda a safra passada, de 2,84 milhões de toneladas. Em abril, os principais destinos da pluma brasileira foram Bangladesh (18,6%), Paquistão (17,7%), China (14,9%), Vietnã (12,2%), Turquia (11,6%) e Índia (11%). Apesar do forte desempenho exportador, os preços médios das vendas externas seguem inferiores aos praticados no mercado doméstico. Em abril/26, a média das exportações foi de 68,64 centavos de dólar por libra-peso, leve queda de 0,7% frente a março/26 e recuo de 7,3% em relação a abril/25. Convertido para moeda nacional, o valor corresponde a R$ 3,45 por libra-peso, ficando 13,2% abaixo da média do mercado spot interno, de R$ 3,97 por libra-peso.

Neste início de maio, o preço médio da Secex avançou 1,4%, para 69,63 centavos de dólar por libra-peso, embora ainda acumule baixa de 4,7% no ano. Os preços da pluma continuam em alta no Brasil na primeira quinzena de maio. Os vendedores seguem firmes nos valores pedidos, sustentados tanto pelas recentes altas externas, especialmente da referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente e dos contratos negociados na ICE Futures, quanto pela baixa disponibilidade de lotes no mercado spot. Além disso, muitos produtores que ainda detêm algodão disponível nesta entressafra estão capitalizados ou vêm fazendo caixa com outras culturas, como a soja, negociando a pluma apenas em oportunidades consideradas atrativas. Paralelamente, seguem os embarques referentes aos contratos a termo já firmados. No campo, levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até o dia 9 de maio mostra que, da safra 2025/26, 82,9% das lavouras estavam em formação de maçãs, 13,9%, em maturação e 3,1%, em floração. Em breve, inclusive, alguns lotes da nova safra de São Paulo já devem começar a ingressar no mercado.

Do lado comprador, parte das indústrias segue ativa no spot, ainda que de forma cautelosa, adquirindo volumes pontuais. Alguns compradores chegaram a elevar os preços ofertados, mas encontraram resistência de vendedores, que pediam valores ainda maiores. De modo geral, o setor industrial continua enfrentando dificuldades para repassar os recentes aumentos de custos aos produtos manufaturados. No segmento de fios, as vendas permanecem lentas, levando algumas indústrias a priorizar a aquisição de fios em detrimento da pluma. Após acumular valorização de 5,7% em abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, pagamento em 8 dias, registra avanço de 3,01% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,24 por libra-peso, o maior valor nominal desde 17 de junho de 2025, quando atingiu R$ 4,27 por libra-peso. Na parcial de maio, o Indicador tem alta de 2,59%. Neste início de mês, a cotação interna está, em média, 5,2% acima da paridade de exportação.

No mercado externo, a paridade de exportação (FAS), é de R$ 3,94 por libra-peso (80,66 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,95 por libra-peso (80,87 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Ainda assim, os contratos futuros negociados na ICE Futures seguem em trajetória de valorização, impulsionados pelos dados de exportações norte-americanas, pela preocupação com o déficit hídrico nas regiões produtoras dos Estados Unidos, pela alta do petróleo e pela desvalorização do dólar. O contrato Julho/26 tem avanço de 5,85% nos últimos sete dias, o Outubro/26, 5,34% e o Dezembro/26 registra ganho de 4,45%. O contrato Maio/26, encerrado no dia 6 de maio, acumulou alta de 2,32% entre os dias 30 de abril e 6 de maio, fechando a 81,71 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.