14/May/2026
O mercado brasileiro de algodão opera nos maiores níveis de preços desde junho de 2025, sustentado pelo ritmo recorde das exportações brasileiras e pelo cenário climático adverso nos Estados Unidos, principal exportador global da fibra. O Indicador Cepea/Esalq-USP, com pagamento em 8 dias, está cotado a R$ 4,27 por libra-peso, maior valor nominal desde 17 de junho de 2025, quando a cotação atingiu R$ 4,27 por libra-peso. O indicador acumulou alta de 5,7% em abril e avança 3,18% na parcial de maio. O forte desempenho das exportações brasileiras segue sustentando o mercado doméstico e aproxima o País de novo recorde histórico de embarques. Na safra 2024/25, o Brasil já exportou 2,81 milhões de toneladas de algodão em pluma, praticamente igualando o volume total embarcado em toda a temporada anterior, mesmo com três meses restantes para o encerramento do ciclo exportador.
Em abril, os embarques brasileiros alcançaram 370,4 mil toneladas, volume 54,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e recorde para o período. O volume ficou apenas 18% abaixo do recorde histórico mensal de exportação, de 452,5 mil toneladas, registrado em dezembro de 2025. Nos primeiros cinco dias úteis de maio, as exportações já somaram 95,96 mil toneladas, com média diária de 19,1 mil toneladas, mais que o dobro da observada no mesmo período do ano anterior. Os principais destinos do algodão brasileiro em abril foram Bangladesh, com 18,6% do total exportado, seguido por Paquistão (17,7%), China (14,9%), Vietnã (12,2%), Turquia (11,6%) e Índia (11%). No mercado interno, os produtores seguem resistentes nas negociações, sustentados pelas altas internacionais e pela baixa disponibilidade de lotes no mercado spot.
Muitos vendedores permanecem capitalizados pela comercialização de outras culturas, especialmente soja, negociando algodão apenas em oportunidades consideradas mais atrativas. Neste início de maio, a cotação doméstica operou, em média, 5,2% acima da paridade de exportação. O cenário internacional também reforça a sustentação dos preços. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros seguem apoiados pela valorização do petróleo, pela deterioração climática nos Estados Unidos e pelo aumento das posições compradas dos fundos de investimento. Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra norte-americana 2026/27 deverá totalizar 2,896 milhões de toneladas, abaixo de 2025/26. Os estoques finais dos Estados Unidos também foram reduzidos. O quadro climático nos Estados Unidos permanece como principal fator de preocupação do mercado.
Segundo o Monitor da Seca, 98% da área produtora norte-americana enfrenta algum nível de déficit hídrico, ante 20% no mesmo período do ano passado. O USDA informou que o plantio da safra 2026/27 atingiu 29% da área prevista, acima da média histórica de 28%, embora o mercado mantenha atenção concentrada sobre a evolução das condições climáticas. Apesar do viés altista, o mercado ainda apresenta boa oferta global no curto prazo. Analistas avaliam que parte da valorização recente decorre do movimento financeiro dos fundos e da alta do petróleo, mais do que de restrições efetivas de oferta. Nesse contexto, eventual redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio poderá pressionar o petróleo e limitar novos avanços das cotações internacionais do algodão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.