20/May/2026
A alta nos preços do algodão em pluma perdeu força nos últimos dias, devido às baixas externas e à consequente retração de compradores. Assim, as cotações registram recuo nos últimos sete dias, mas ainda registram alta na parcial do mês. A retração das cotações internacionais, especialmente na Bolsa de Nova York, levou parte dos agentes a aguardar definições mais claras para realizar novos fechamentos. Alguns vendedores passaram a demonstrar maior flexibilidade nos negócios, enquanto outros seguiram firmes nos valores pedidos. Do lado comprador, indústrias ofertaram preços ainda menores para novas aquisições, diante das dificuldades de comercialização e de repasse dos custos aos produtos manufaturados, influenciando no enfraquecimento das cotações. O mercado internacional também permanece atento aos desdobramentos das negociações sobre as compras chinesas de produtos norte-americanos.
Além disso, o viés baixista foi reforçado pela divulgação do relatório de exportações dos Estados Unidos, que apontou desaceleração no ritmo das vendas externas, sinalizando dificuldade dos compradores em sustentar aquisições em patamares altos, apesar da queda recente, os valores internacionais ainda estão elevados. No mercado spot, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) registra recuo de 1,09% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,20 por libra-peso. No acumulado de maio, porém, o Indicador ainda acumula alta de 1,47%. Na parcial do mês, a cotação interna está, em média, 3,5% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,08 por libra-peso (81,67 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,09 por libra-peso (81,88 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
Na ICE Futures, os primeiros contratos estão enfraquecidos, pressionados pela realização de lucros após a sequência recente de altas, pelo enfraquecimento das exportações norte-americanas e pela valorização do dólar. O contrato Julho/26 registra recuo de 4,64% nos últimos sete dias; o Outubro/26, 5%; o Dezembro/26, 3,91%; e o Março/27, 3,81%. Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 14 de maio indicam reajuste positivo de 3,39% na produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 frente ao relatório anterior, agora estimada em 3,973 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume deve ficar 2,6% abaixo do registrado na safra anterior. O avanço mensal decorre do aumento de 3,48% na produtividade média, estimada em 1.948 Kg por hectare, embora ainda seja ligeiramente inferior à de 2024/25 (-0,5%). A área cultivada foi projetada em 2,04 milhões de hectares, com recuos de 0,09% frente ao levantamento anterior e de 2,2% em relação ao ciclo passado.
O principal destaque segue sendo Mato Grosso, onde a Conab elevou as estimativas de produtividade e de produção ambos em 4,96% frente aos dados de abril/26. Porém, na comparação com a safra anterior, a produção estadual deve recuar 3,5%, a 2,75 milhões de toneladas. A produtividade esperada é de 1.952 Kg por hectare, em linha com a registrada em 2024/25. A área cultivada permanece estimada em 1,41 milhão de hectares, 3,5% abaixo da temporada passada. As primeiras estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 12 de maio apontam que a produção mundial de algodão na safra 2026/27 pode alcançar 25,266 milhões de toneladas, queda de 5,4% frente à temporada 2025/26, refletindo a retração produtiva dos principais países exportadores, com exceção da Índia, que pode registrar leve avanço de 0,8%.
Para o Brasil, a projeção é de 3,81 milhões de toneladas, volume 10,3% inferior ao da safra anterior, mas ainda assim o segundo maior da série histórica do USDA. O consumo mundial foi estimado em 26,495 milhões de toneladas, aumento de 1,3% em relação à temporada anterior. O volume supera a oferta global em 4,86% na safra 2026/27 e é o maior em seis anos. A China permanece como a principal consumidora mundial, com demanda prevista em 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 1,2% frente à temporada 2025/26. As transações globais são estimadas em 9,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, com recuos de 0,9% nas importações e de 1% nas exportações. Assim, o Brasil deve permanecer na liderança global das exportações, com embarques previstos em 3,27 milhões de toneladas, um novo recorde e alta de 2% em relação à safra anterior.
O País pode responder por 35% das exportações mundiais, enquanto os Estados Unidos devem representar 28%. Os embarques norte-americanos podem crescer 2,5%, atingindo 2,678 milhões de toneladas. Os estoques mundiais são estimados em 15,642 milhões de toneladas na temporada 2026/27, retração de 7% em relação à safra anterior. O estoque brasileiro deve alcançar 927 mil toneladas, queda de 17,4% em relação à temporada 2025/26, ocupando a terceira posição no ranking mundial. Nos Estados Unidos, os estoques podem recuar 11,4%, para 849 mil toneladas. Quanto aos preços, o USDA estima que o valor médio pago ao produtor norte-americano em 2026/27 seja de 73,00 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 15,9% sobre o da safra anterior. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.